TENDÊNCIA ZERO

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07 novembro 2006

O Horizonte do jornalismo é digital – entrevista com Marcos Larosa

Por Leandro Martinelli

Marco Antônio Larosa é coordenador do curso de Comunicação Social da Universidade Candido Mendes dos campus Tijuca e Niterói. Em entrevista ao Tendência Zero disse que o jornalismo digital e o jornalismo digital móvel representam o futuro da comunicação, é uma tendência que se impõe frente às novas necessidades da modernidade, como a busca pela rapidez e objetividade na informação, pela facilidade de acesso e pelo baixo custo operacional para produzi-las e veiculá-las. O emissor enviará mensagens que serão recebidas de forma difusa e de acesso individualizado, em horários e locais variados pelos receptores, modificando o conceito de horário nobre, o momento The Simpsons ­– desenho animado que mostra a família Simpson junta no sofá em frente a tv. Para ele, a precisão da informação e a credibilidade serão os fatores que farão vingar ou não um veículo.


As grandes empresas de comunicação de massa estão interessadas em investir nessas novas tecnologias – Internet e celular – como possíveis substitutos dos atuais canais, como a tv, o rádio e o jornal impresso?
A tendência é a evolução. Através da tecnologia você ganha em velocidade, ganha em qualidade, atinge seu público-alvo de uma forma mais eficiente. O investimento em tecnologia, na área de comunicação, é fundamental. E vou dizer mais, você é praticamente refém. Porque a cada nova tecnologia, se você não se adapta, fica para trás em relação à concorrência. Isto pode causar um prejuízo direto não só na qualidade da sua informação, como também na agilidade com que essa informação chega ao teu público.

A Internet e o celular podem ser considerados veículos de massa?
No momento não, porque poucas pessoas vão ter acesso. Um equipamento desses vai custar 900 reais, mil reais, dois mil reais. Vai ter uma média como essa. O computador é uma comunicação de massa? Não. Tem uma forte incidência no Sudeste, beirando nove milhões de usuários com ponto de rede em casa. No Norte e Nordeste essa realidade não existe. Pouquíssimas pessoas têm acesso à rede. As empresas que têm terminais ligados à rede, você está bloqueado por uma questão de produtividade. Orkut, MSN, sites de bate-papo são bloqueados, senão você diminui a produtividade. No dia que esses 180 milhões de habitantes tiverem acesso à rede, tudo muda.

A televisão aberta no Brasil é distribuída para pouco mais de seis emissoras e uma delas, a Rede Globo, consegue índices de audiência de 80% no horário nobre. Levando em conta que a tv está inserida em 91% dos lares brasileiros, será que essas emissoras têm realmente interesse em investir nesses pequenos nichos de mercado – a Internet e o celular?
Você abre mais a concorrência. É uma questão de modismo. Quando não tinha celular no Brasil, por exemplo, as pessoas faziam fila para comprar um tijolão daqueles. Porque é novidade, porque dá status. Cria-se o modismo. Você não pode ver televisão no carro, você não pode ver televisão no seu trabalho, você só pode ver quando está em casa, que é uma raridade. As pessoas perderam um pouco esse hábito de Simpson, de todo mundo sentado no sofá vendo televisão. Hoje não. Qualquer tipo de informação que você possa obter de forma imediata, por que não? Na telefonia móvel vou ter acesso direto à Internet – acho que vai ser até gratuito, como um diferencial das empresas –, aí, no seu Palm Top você vê Internet, vê televisão, apura, se entretém, e por ser uma questão de modismo, dificilmente alguém vai ficar para trás nessa história. Vão deixar até de comer para comprar um equipamento desses.

Quem busca mais a popularização da comunicação digital móvel, as empresas de comunicação, a indústria de aparelhos de celular, as operadoras de telecomunicações ou é um negócio que interessa a todos?
Interessa a todo mundo. O mercado digital é um mercado amplo. Qualquer um pode chegar com baixo custo. Diferente numa televisão, que tem um custo fantástico para montar. Se você montar um newsletter, blog, que você envie para os celulares das pessoas, o seu custo é infinitamente menor, basta um servidor, um endereço virtual. É muito mais barato. O que vai fazer a diferença é a credibilidade, a precisão da informação. Eu recebo, por exemplo, duas revistas digitais de publicidade. Eu não compro por mês a mensagem, ela vem atualizada semanalmente. E quando sai um fato novo, é negócio de dois dias, já recebo uma outra revista dessas, outro newsletter. Tem credibilidade? Tem. As informações são precisas? Então me interessam esses e-mails. É como um serviço a mais que as operadoras vão me oferecer. Isto é vantajoso. Agora, repito, quem largar na frente deste mercado vai se posicionar melhor. Para nosso mercado de comunicação, ele está francamente aberto neste sentido. Qualquer um, eu, você, qualquer pessoa, montamos um negócio, como a nossa agência UCAM de Notícias. Os alunos recebem por e-mail, os diretores recebem por e-mail, praticamente a Candido Mendes toda recebe isso por e-mail. Como é que é feito? Dois alunos. Olha o custo operacional disso! As informações são captadas, são disponibilizadas de uma forma clara e objetiva, uma linguagem de fácil acesso, curtas, só com as essências, e você fica bem informado. É claro, se eu quiser conhecimento eu tenho que me aprofundar. Aí sim, eu vou pesquisar, vou acessar a Internet, vou ver telejornais, vou ler ainda um jornal, vou me aprofundar no assunto. Agora, dizer que você não tem informação, isto não pode mais ser dito.

Já que esse mercado está aberto, a gente pode pensar na possibilidade de um curso específico, de extensão, por exemplo, para preparar profissionais para atuarem nesta área?
É possível. Inclusive a disciplina que nós temos aqui, de Jornalismo Digital, ela está totalmente voltada para essa questão do newsletter e do blog. Não temos mais informativos impressos, exceto no laboratório, porque é uma questão de lei. O MEC exige que tenha ainda a impressão do jornal laboratorial. Jornalismo Alternativo, Jornalismo Digital e Jornalismo Empresarial são as três disciplinas do curso em que seus produtos já são digitais, não tem mais impressão. Agora, como fazer, como buscar a informação, a disciplina procura ensinar. Um curso de extensão para você efetivamente atuar neste mercado é uma intenção boa, não só de alguns alunos como também do próprio curso. A gente pretende criar uma oficina disso, criar um blog só para ela e aí, sim, aprender desde o processo de como se busca na Internet, como é que se associa, como é que se monta e, a partir daí, como se abastece. Porque o problema não é montar – tecnologicamente é fácil –, o problema é abastecer com informações precisas, que é o que vai fazer vingar ou não o seu veículo. O pior não é aprender a fazer, fazer é fácil, é um processo mecânico, é ter a consciência de apurar de forma correta.

A informação que é recebida pelo celular tende a ter sua recepção prejudicada mais do que nos outros canais. Que tipo de mensagem é mais apropriado para o celular?
Curta e grossa. Não adianta você querer contar história. Ter um celular hoje, que é pequenininho, miudinho, também muda. Ele passa a ser maior, do tamanho de um Palm Top ou até um pouco maior, com tecnologia para você ter acesso à leitura com letra maior e também a imagens. O texto tem que ser claro e objetivo para que você perceba rapidamente num passar de olhos. Não pode ter mais do que duas linhas.

Você se considera um entusiasta do jornalismo digital e do jornalismo digital móvel?
Não, é uma questão de avanço tecnológico. Não tem jeito.

Convergência de Mídias

Por Alexandre Chrispim, Éderson Ribeiro, Julio Todesco Longo

Jornais e rádios online, televisão digital, celulares com acesso à internet. Uma tendência que cada vez mais vem ganhando espaço no universo da informação é a convergência de mídias. É provável que num futuro próximo não seja mais possível pensar os veículos de comunicação isoladamente uns dos outros, mas somente através de uma rede multilateral de intrinsidade. Mais que isso, já é possível vislumbrar uma relação de total interdependência entre estes veículos, tornando impossível, inclusive, a distinção entre eles.
Para Nilo Peçanha, produtor de conteúdos audiovisuais para telefone celular, uma das mudanças será cultural, decorrente de um crescimento brutal na comercialização de bens simbólicos. Ainda assim, todo este comércio estará acessível na palma da mão. Ficou curioso? Acompanhe o bate-papo do profissional com o Tendência Zero:

Fale um pouco sobre o seu trabalho.
Produzimos conteúdo audiovisual para telefonia móvel. Nosso público prioritário são adolescentes e jovens. As op­erador­as começaram a oferece­­r, no ano de 2004, a possibilidade de se baixar pequenos vídeos no celular. Essa nova tecnologia atende à demanda por parte das operadoras em oferecer os chamados SVA (Serviços de Valor Agregado) aos seus assinantes. Surgiram novas siglas para expressar estes serviços: SMS (Short Message Service), GPRS (General Packet Radio Service), MMS (Multimedia Messaging Service), WAP (Wireless Application Protocol). O que ocorre na prática é a possibilidade do serviço de telefonia móvel atuar como integrador de muitos outros serviços. A conexão em portais WAP via rede GPRS, possibilita o acesso a informações de toda ordem: notícias, blogs pessoais, foto blogs, serviços de utilidade pública, conteúdo jornalístico, esotérico, adulto etc. A indústria de aparelhos cria junto com as operadoras estas novas ofertas que buscam targets altamente segmentados, e estes buscam, no consumo e acesso destes serviços, atenderem ao estilo de vida contemporâneo.
A tecnologia que permite os downloads de vídeo, passa por uma integração de tecnologias das mais distintas: o aparelho compatível com a tecnologia de rede GPRS conecta-se à internet acessando uma página que foi montada em protocolo WAP. Esta página está hospedada em um servidor, que tem carregado um software para gerenciar os conteúdos ali disponibilizados. O cliente acessa e autoriza que esses conteúdos sejam carregados na memória de seu aparelho, para posteriormente assisti-lo. Temos aqui o ciclo de consumo fechado por vários agentes tecnológicos que permitem o surgimento desta nova mídia e seus conteúdos.
Uma das barreiras mercadológicas, que precisava ser quebrada, era a do custo para o consumidor final do aparelho compatível com esses recursos, já que os aparelhos disponíveis à época eram caros, não permitindo a massificação. Foi quando a operadora Oi, em convênio com o fabricante Motorola e com a empresa japonesa de software Nancy, criaram uma solução integrada para viabilizar a oferta em grande escala. A Nancy desenvolveu um software de compressão de vídeo que permite adequar o tamanho do arquivo às possibilidades de armazenamento do aparelho Mortorola C355v, que tinha um baixo custo. A Oi ofereceu à rede GPRS os meios de promoção e os canais de venda deste novo produto, junto com a aquisição de parceiros de conteúdo para disponibilizar no portal chamado Mundo Oi. Com este ciclo fechado e ajustado, a oferta surgiu nos pontos de venda com o preço para o consumidor final em torno de 20% do valor do aparelho disponível no mercado. Houve um aumento significativo da base de clientes interessados neste novo produto. Poucos meses após a Oi ter saído na frente, todas as outras operadoras começaram a oferecer serviços semelhantes. O fundamento é o mesmo, porém as outras operadoras estão, normalmente, oferecendo este tipo de serviço dentro de um sortimento de Serviços de Valor Agregado.

Há algum tipo de interatividade direta do seu trabalho com outras mídias (como a internet)?
Sim. Todo nosso trabalho é baseado em internet, pois as plataformas que viabilizam o acesso dos consumidores aos conteúdos, são baseadas nela. Além disso, disponibilizamos para nossa audiência sites que dão mais informações sobre os nossos títulos, como o
www.toosexy.com.br.

Neste mercado, em específico, já é possível determinar alguma tendência?
A tendência é que o donwload de vídeo seja sucedido pelo video stream (a transmissão de vídeo em tempo real através de rede e dados, é vídeo continuo no celular sem precisar armazenar). Os novos hand sets (novos aparelhos), virão com a possibilidade de vídeo stream como diferencial. Os mais baratos terão o video download como comodities (do mesmo jeito que há alguns anos atrás, os aparelhos que mandavam torpedo de texto eram “melhores” do que os que não tinham este recurso e hoje todos, do mais barato ao mais caro, têm o recurso de enviar texto. Portanto, este recurso virou padrão ou comodities).

E de uma forma mais ampla, como você enxerga o fenômeno da convergência de mídias a longo prazo? Que tipos de mudanças ela acarretará?
É impossível prever o que acontecerá do ponto de vista cultural, pois o acesso a bens simbólicos crescerá em escala como nunca antes visto. Teremos, por exemplo, um único hand set na palma da mão que terá acesso a tudo.

É possível vislumbrar a hipótese de, no futuro, o processo de convergência se dar de tal forma que se torne impossível fazer uma distinção entre as próprias mídias? Chegará o dia em que não haverá diferença entre uma televisão e um computador, por exemplo?
Sim, não haverá diferença de acesso. Entretanto, acredito que cada mídia sobrevivente terá que se adaptar à oferta descomunal de bens simbólicos.

Por que? Que tipo de diferença de ordem, para usar o termo que o você utilizou, “simbólica”, os bens circulantes deverão apresentar? Com base em quê você sustenta tal previsão? E, para terminar, o que já não é previsão?
Ainda existe uma grande dificuldade de gerar conteúdos fora das grandes estruturas de distribuição, entretanto, o comércio de conteúdo audiovisual nas redes de telefonia móvel mostra claramente que os grandes produtores estão tendendo a perder seu poder hegemônico. Pode-se dizer que está em curso uma “democratização” dos canais de distribuição, que terá seu ápice, certamente, com advento da IPTV - Internet Protocol Television - que, em português, significa algo como “Televisão sobre Protocolo de Internet” ou, simplificando, “TV via Internet”. Trata-se de uma tecnologia que vem sendo desenvolvida há cerca de 10 anos e visa viabilizar a transmissão de conteúdo televisivo via internet. Ao contrário do que se pode imaginar, quem está à frente dos investimentos em pesquisa na área, que já totalizam mais de US$ 500 milhões, não são as empresas de televisão a cabo e sim empresas de telefonia norte-americanas, como a SBC, Comcast e Verizon. Essa última já atua em algumas cidades norte-americanas, transmitindo programação via internet.
As empresas de televisão a cabo, que a priori seriam as mais interessadas na tecnologia, ao que parece estão subestimando o potencial de penetração no mercado destas tecnologias. Elas duvidam da eficiência da tecnologia e dizem que não há nenhuma pressa em introduzir serviços de TV mais interativos do que o vídeo sob demanda e os gravadores digitais de vídeo. Um dos principais argumentos dos que criticam a IPTV para uso de acesso a conteúdo web, é o fato da resolução dos aparelhos de TV comuns não permitir uma boa visualização, o que só é contornado com aparelhos equipados com telas de melhor qualidade. Apesar das resistências de alguns setores da indústria da tecnologia outros estão investindo pesado, acreditando no futuro da IPTV, como Bill Gates, que após perceber que não seria viável entrar sozinho neste mercado, fez parceria entre a Microsoft e as três empresas de telefonia citadas acima, além de acordos semelhantes com empresas de comunicação da Itália, Índia, Espanha e Canadá. O objetivo da gigante americana é estar presente, com seus softwares, num mercado de bilhões de dólares e para o qual convergirão vários meios de comunicação, telefonia, entretenimento, informação, serviços e tudo mais que podemos e poderemos encontrar na internet, sendo posto para a tela da TV, via IP.
O potencial de mercado, cobiçado por Bill Gates, é justificado pelos serviços que são possíveis de serem ofertados via IPTV. Alguns exemplos de uso desta tecnologia são bastante animadores: identificação de chamadas telefônicas, e-mail e correio de voz na tela da televisão, programação de um gravador de vídeo digital via telefone celular, obtenção de dados da internet durante programas (por exemplo: para saber mais, durante uma corrida de Fórmula 1, sobre a carreira de um piloto), acesso aos vídeos de eventos com possibilidade de se ter múltiplos ângulos de câmera, entre outras possibilidades.
Quando se pensa na possibilidade de ter acesso à internet pela TV e todos os serviços e conteúdos nela disponíveis – além de se ter as mesmas facilidades de lazer a que estamos acostumados na "telinha" – temos um acesso facilitado em vários aspectos. A interface do usuário do equipamento é bastante simplificada, pois a maior parte dos serviços disponibilizados é acessada com uso de um controle remoto semelhante ao que temos em casa. O custo do equipamento de acesso (o aparelho de IPTV) é significativamente mais baixo que um computador, girando em torno de US$ 200.00, com controle remoto, teclado e mouse sem fio; Os programas envolvidos são bem mais simples que os encontrados em computadores, tornando o uso mais intuitivo e imediato (não há inicialização do Windows para ligar o aparelho). Estas características aumentam o público potencial de acesso à internet. Boa parte da população que sofre de "exclusão digital" pode passar a usufruir os serviços que a rede propicia, incluindo educação à distância. No Brasil ainda vai demorar para a IPTV se tornar uma realidade. Empresas como Telemar, Brasil Telecom e Telefônica fazem testes com a tecnologia, mas sem qualquer projeção de lançamento do serviço. Mesmo porque, para tal há a necessidade de ser ter uma boa infra-estrutura de conexão de alta velocidade, o que ainda está longe de nossa realidade.
A possibilidade de receber programas favoritos de TV, a qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer aparelho, seja ele televisor, computador, celular, PDA ou monitor em veículos. Tudo isso será possível em menos de cinco anos, com a TV sobre Protocolo IP. Com ela, teremos à disposição milhares de opções de programas, para recepção nos mais diversos ambientes tecnológicos, como a internet, a telefonia fixa, o celular, o DTH (via satélite), o cabo, a rede elétrica (powerline communications) ou as redes sem fio Wi-Fi ou WiMax.
A IPTV foi a grande estrela da NAB-2006, evento realizado em Las Vegas, numa promoção da NAB (National Association of Broadcasters), a Associação Norte-Americana de Radiodifusores. Embora não seja ainda realidade comercial, a televisão sobre protocolo IP já é uma realidade tecnológica.
Como sabemos, a televisão nasceu analógica e em preto-e-branco, ainda em laboratório, em 1926. Como comunicação de massa, no entanto, ela só se tornou realidade a partir do final da Segunda Guerra Mundial, em 1946, nos Estados Unidos e na Europa. E chegou ao Brasil apenas quatro anos depois de sua introdução nos Estados Unidos, em 1950. No mundo, as transmissões comerciais em cores só aconteceram nos anos 1960. E no Brasil em 1972. A digitalização começou no final da década de 1990. Com a ascensão da internet, o protocolo IP acabou se transformando numa espécie de padrão mundial de fato.
Como subproduto da internet, a IPTV integra o conjunto das redes de nova geração, conhecidas como NGN (New Generation Networks), que são redes IP de banda larga. Desde 1991, o mundo começou a especular sobre a possibilidade de criação de uma TV com essas características, com base nos padrões da internet.
Uma coisa é certa, com a chegada da nova televisão, o ambiente de comunicação eletrônica de massa tende a se tornar ainda mais competitivo e diversificado, possibilitando a entrada de novos fornecedores de conteúdo, de empresas de informação e de operadoras de telecomunicações. No Brasil, por questões de regulamentação e de conflitos de interesses, a polêmica já está instaurada em todas as instâncias da indústria do audiovisual.

Internet inclusão ou risco para crianças e adolescentes

Monike Oliveira

A comunicação e a publicação de informações na internet não têm supervisão de nenhuma entidade. A maior parte dos serviços se encontra sem qualquer restrição ou controle à disposição dos usuários. Entre eles, os mais jovens formam um grande contingente. A internet oferece acesso a sites pornográficos, contato com pessoas desconhecidas através das salas de bate papo, dos messengers, do site de relacionamento – Orkut; expor informações familiares confidenciais nos cadastros de sites não confiáveis, além de obter dados errados de pesquisas, uma vez que qualquer um pode publicar o que quiser na rede.
Pensar que a internet não oferece perigos ou que estes só afetam “os outros” é assumir uma atitude inconseqüente. Tomar consciência dos riscos, estar informado de como os prevenir ou diminui-los, orientar as atividades das crianças e adolescentes na internet. Observar a ferramenta Histórico para saber quais sites recentes foram visitados, assim como a constante supervisão do uso, podem ser as chaves para garantir uma utilização em segurança.
A internet para as crianças que a utilizam com intuito de aprendizado, pesquisa, e de se manterem atualizadas, sob a orientação dos pais pode ser a iniciação no mundo digital. A globalização cada vez mais tem impulsionado o aprendizado tecnológico e com isso a internet, meio que liga todo o mundo. A inclusão digital é um diferencial para os adolescentes que estão na disputa por um bom emprego.
O aumento da utilização da internet pelas crianças é fato a se discutir. Casos isolados mostram que a internet pode ser também motivo para o baixo rendimento escolar das crianças e adolescentes, em função da grande exposição à rede e do tempo gasto pelas crianças diante do computador.
O perigo na internet existe e dados da pesquisa “Opinando em Grande", realizada pela organização Ação pelas Crianças, em convênio com o instituto de pesquisa IMASEN, feita com 413 crianças entre 11 e 17 anos, mostra que 8% dos menores revela seu correio eletrônico para qualquer pessoa e mais de 5% já foi assediado por uma pessoa conhecida através da internet. Estes dois índices dão idéia do perigo que existe ao redor dos avanços da rede mundial de computadores. O fato de que delinqüentes sexuais fazem uso da rede para cometer seus delitos. Fato que deve ser levado em consideração na hora de restringir o uso das crianças.
Paulo Henrique Ximenes de Bustamante, de 14 anos, aluno da 8ª série de um colégio particular, diz que ele não dá o endereço do correio eletrônico para desconhecidos, mas colegas dele têm o costume de passar o endereço.
É necessário muita informação, alertas, avisos, diálogos e amor dos pais ao auxiliar as crianças quanto a utilização da internet, e fazer desta utilização um recurso de crescimento e aprimoramento quanto a tecnologia.

INTERNET: NOVO ESPAÇO PARA O JORNALISMO

Por Monike Oliveira
A entrada definitiva da internet no Brasil aconteceu em 1995, e cada vez mais está presente no nosso cotidiano. Paralelamente seu impulsiona transformações no setor jornalístico. Grandes grupos editoriais brasileiros perceberam que a internet representa um mercado em expansão, que pode ser bastante lucrativo e surgem diversos investimentos em desenvolvimentos de serviços para a mídia online e na produção de publicações digitais. Hoje, as publicações brasileiras na internet já chegam a mais de 500 e cresce cada vez mais o número de jornais e revistas do mercado editoral brasileiro que optam pela rede.
A forte entrada e a aceitação dos leitores de jornais e revistas na internet inauguram um novo veículo de comunicação. O jornalismo digital representa uma revolução no modelo de produção e distribuição das notícias que são atualizadas a todo instante, mecanismos de busca em classificados online e uma série de outros serviços só são possíveis graças ao suporte digital. Os baixos custos de produção de sites na Web também é um fator determinante para o crescimento deste setor.
As transformações no setor jornalístico acontecem por diversos fatores, entre eles, a excessiva preocupação com a "obrigação" de veicular uma notícia a cada segundo na rede, onde em alguns casos, pode se opor ao bom e velho conceito do jornalismo de investigação, apuração e veracidade das informações. A produção e a distribuição quase que “instatânea” da notícia alteram as rotinas de trabalho dos jornalistas e colaboradores submetidos às pressões do tempo real e da ideologia da transparência, assim como a criação e o aprendizado de uma nova linguagem a ser utilizada na internet. Apesar dos textos jornalísticos - claros, objetivos e que dão ênfase à notícia - continuarem sendo feitos da mesma forma, o novo texto jornalístico, na verdade, tem apenas uma outra roupagem. Poderíamos dizer uma outra diagramação ou design. O jornalista deve saber levantar o fato, entrevistar e escrever, visando atingir um leitor “com fome” de notícias, com uma boa formação cultural e, quase sempre, com pouco tempo e paciência de exposição diante do computador.
A internet também se tornou uma poderosa ferramenta de pesquisa para os meios de comunicação tradicionais, criando uma nova maneira de se "fazer jornalismo".
O diferencial da internet, e com isso do jornalismo na internet, é que ela nos permite cobrir um fato através de recursos multimídias, além da escrita, o uso de fotos, gráficos, som e vídeo. Em sua constante evolução, cada vez mais são criados recursos tecnológicos interativos. Mas alguns desses recursos ainda estão no início nas publicações brasileiras, em função da qualidade da conexão à rede. Atualmente, a média da conexão dos internautas brasileiros é de 33.600 bps, mais conhecida como conexão discada, e esse é um fator para que os sites não explorem recursos tecnológicos que precisam uma boa conexão, como por exemplo, o áudio e o vídeo. A crescente expansão da banda larga de provedores com acesso via cabo e fibra ótica, traz a expectativa de que em pouco tempo as pessoas tenham uma conexão mais rápida com 128Kbps.
De forma lenta e sem muita divulgação, os sites noticiosos estão começando a utilizar uma revolucionária ferramenta de informação: o vídeo, como a globo.com e band.com.br que dispõem de muitos recursos para quem possui banda larga. Esse também é o grande desafio dos sites noticiosos, produzir um conteúdo que possa ser enriquecido com links para outros sites, mapas interativos, fóruns, chats, áudio, vídeo.
Acima de tudo deve ser levado em consideração que a internet é mais do que um meio de comunicação e informação é também, e essencialmente, de entretenimento.