Ter ossos de titânio já não é um luxo só dos ciborgues
Alexandre Chrispim
“Era um dia frio e claro de abril e, os relógios batiam treze horas...” O que isso tem a ver com implantes corporais? Nada! Eu só gosto dessa frase e não sabia como começar - aposto que Orwell também não sabia como começar “1984”.
Falando em 1984, foi na década de 80 que estreou nos cinemas Blade Runner. O filme conta que no início do século XXI uma grande corporação desenvolve humanoídes que são mais fortes e ágeis que o ser humano comum, mas equiparados em inteligência. São conhecidos como replicantes e utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas.
Hoje, no mesmo início de século XXI, os ciborgues (humanos modificados com implantes tecnológicos) são cada vez mais reais. Esqueça toda a palhaçada de colonização espacial e de ressurreição, os ciborgues de hoje são mais “naturais” do que os dos filmes.
Os implantes vão além do conhecido e chato silicone
Em alguns hospitais, pacientes que tiveram ossos fraturados e não conseguiriam a calcificação completa, recebem um “reforço” de titânio para suas fraturas. Parece estranho, mas o titânio teve um número baixíssimo de rejeição pelo corpo.Os microchips estão sendo testados para outros tipos de implantes. Para os implantes oculares dois aparelhos foram desenvolvidos para restaurar a visão em pessoas com retinite pigmentar e degeneração macular. Ambos os aparelhos foram bem sucedidos nos testes preliminares.
A retina artificial de silicone (Artificial Silicon Retina – ASR) é um microchip que estimula as células danificadas da retina, permitindo a elas enviar sinais visuais para o cérebro. O minúsculo chip é implantado debaixo da retina. O segundo aparelho é a prótese de retina (retina prosthesis – RP) e usa pequenos eletrodos colocados na parte posterior do olho, além de uma câmera.
Apesar de todo o sucesso desses implantes, eles ainda não podem ser utilizados, pois seu tamanho e durabilidade são insatisfatórios. Qualquer aparelho eletrônico precisa de manutenção, para um implante ocular, isso não seria viável para o implantado. Inegável é que em alguns anos eles já estarão completamente desenvolvidos.
Em 2005, aconteceu na França o primeiro transplante de rosto. Uma mulher teve seu rosto deformado por um cão. A mulher recebeu tecidos, artérias e veias de outra mulher que havia tido morte cerebral. O resultado foi satisfatório para os médicos, que agora já conhecem mais um procedimento e as possibilidades de executá-lo.
A tecnologia está sempre evoluindo e está sendo mais utilizada pela medicina. O que torna possível essa evolução é a necessidade que muitas pessoas, portadoras de alguma deficiência, têm de achar alternativas práticas para uma vida independente.
Muitos implantes podem ser feitos hoje, mas todos ainda têm um preço muito alto. Uma coisa é certa, se você quiser ser um Lee Majors, vai precisar pagar mais que 6 milhões de dólares.

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