TENDÊNCIA ZERO

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03 outubro 2006

O FUTURO DO CINEMA É DIGITAL

Bruno Rasga

Com o desenvolvimento da tecnologia digital, uma verdadeira revolução tomou conta da pós-produção de vídeo. Todos os processos, desde o simples corte aos mais sofisticados efeitos visuais, sofreram mudanças importantes em sua concepção e realização.
Num futuro não muito distante, o método tradicional de edição de filmes que conhecemos (a película de celulóide usada para registrar e projetar imagens a 24 quadros por segundo) será obsoleto. A edição digital já começa a ganhar espaço em Hollywood, com o sistema digital como AVID e o software Final Cut Pro, que é um programa barato e popular. O diretor de cinema Walter Murch, por exemplo, foi o primeiro a ganhar um Oscar com um filme editado em computador, “O paciente inglês” e defende inteiramente o uso dos programas em edição de filmes.
O processo de edição torna-se mais fácil, uma vez que não é necessário assistir muitas imagens. Com o software, vai-se direto a cena que se quer. Espera-se, hoje, que logo se possa concluir a edição de um filme em um único computador, incluindo edição de imagem e som, correção de luz, mixagem do som, efeitos especiais, etc. O filme sai pronto para ser exibido nas salas de cinema.
Além de diretor, Walter Murch é um pensador de cinema. É dele o livro “Num piscar de olhos” (Jorge Zahar Editor, 152 págs., R$ 26,00) dito leitura obrigatória para quem está interessado em montagem cinematográfica. Diretor de filmes como “Poderoso Chefão 2”, “Apocalypse Now”, entre outros, esteve presente à frente de alguns dos principais avanços tecnológicos e Daniel Rezende, montador de “Cidade de Deus”, consultou seu livro e um ano depois estava disputando com ele o Oscar. Ambos foram derrotados pelo terceiro volume de “Senhor dos Anéis”.A tecnologia de projeção digital já existe, agora é uma questão de saber quem vai pagar por ela, se os estúdios ou os exibidores.