TENDÊNCIA ZERO

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26 setembro 2006

Preparem-se para uma revolução. Apresento-lhes o Youtube

Ygor Helbourn

Sabe aquele vídeo de bandidos fazendo exigências enquanto um repórter da Globo e um operador de áudio estavam sequestrados? Lá tem. Sabe aquele vídeo da sua banda favorita tocando aquela música que você sempre quis ver e nunca encontrou? Lá tem. Sabe aquele vídeo daquele bêbado que ficou cantando e dançando em frente às câmeras? Lá tem. Na verdade lá tem tudo. Tudo mesmo. Nada escapa à perspicácia dos internautas. Depois de passar na televisão, basta esperar uns 15 minutinhos e procurar.
Fundado em fevereiro de 2005, o YouTube (que traduzido é algo como "o seu tubo") é um site hospedado nos Estados Unidos que dá a oportunidade dos internautas assistirem vídeos de curta duração (em média 12 minutos) sobre qualquer assunto. Ao entrar no site você se depara com alguns links que o direcionam para vídeos selecionados e um espaço para a busca de palavras relacionadas. Inclusive é a minha sugestão. Escreva uma palavra qualquer e clique em "search". Vídeos dos mais variados aparecerão e você poderá se entreter durante horas pelos links que aparecem na tela enquanto você assiste seu filme. A impressão é que a experiência é interminável.

Acessos diários já passam de 100 milhões

O criador Chad Hurley obviamente não esperava tamanho sucesso. Ele criou o site com o objetivo de divulgar vídeos de uma festa sem precisar lotar a caixa de e-mail dos seus amigos. Como tudo na internet, o boca a boca ajudou a divulgar a novidade, novos vídeos foram sendo adicionados e pronto, mais um fenômeno virtual estava criado.
O crescimento foi espantoso. Em apenas um ano e meio de vida, o site já contabiliza 100 milhões de vídeos assistidos por dia. São 65 mil adicionados diariamente e no fim das contas, 20 milhões de usuários acessando em um mês. De olho nesse imenso público as grandes corporações já tentam lançar o seu concorrente como o Google, que lançou o GoogleVideo, e a Microsoft, que promete lançar um site parecido em breve. Alguns grupos já tentaram também comprar o site, mas se depararam com o preço de mais de 100 milhões de dólares. Não que achem caro, mas já dá pra se ter uma idéia da força do novo conceito.

Tecnologia

A tecnologia usada pelo YouTube também facilita a vida do internauta. Os vídeos não são reproduzidos com imagem e som originais. O vídeo sofre uma redução de qualidade para que fique mais "leve", o que é um facilitador para o internauta, sempre ávido não só pelo conteúdo, mas principalmente pela velocidade do serviço.
A grande mídia também começa a demonstrar interesse em disponibilizar alguma parte do seu acervo na internet, como faz a Globo. No entanto, iniciativas como a do YouTube ainda não têm influência desses grandes grupos da televisão e acabam por mostrar o lado obscuro dos grandes conglomerados de mídia. Os vídeos mais populares são, em geral, os de erros na programação. Repórteres engasgando, olhando pras câmeras erradas, apresentadores mal-vestidos e até mesmo bêbados. A graça é achar o que a televisão não mostraria normalmente e com a popularização do YouTube as pessoas estão fazendo questão de gravar cada vez mais momentos da televisão aberta aleatoriamente, só com o objetivo de captar algo interessante e que possa ser exibido na internet.
Alguns especialistas dizem que esse tipo de iniciativa é o primeiro suspiro da televisão do futuro, onde o telespectador verá apenas o que quiser e teríamos então um grande salto de qualidade. Outros dizem que o salto será, na verdade, uma queda num precipício sem fim, onde qualquer um disponibilizará qualquer tipo de coisa sem o mínimo cuidado técnico. Há ainda um terceiro grupo que acha que o YouTube é efêmero e desaparecerá tão rápido quanto veio. Se alguma dessas opções é verdadeira não sabemos ainda, mas como o próprio site diz em sua página inicial, eles já estão "dando força pras pessoas se tornarem os diretores de programação do futuro".