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19 setembro 2006

Governo Federal pretende acabar com exclusão digital no ensino público


Gabrielle Martins e Renata Onaindia
Fotos Pedro Pantoja

Um computador por aluno da rede pública de ensino. Essa é a pretensão do Governo Federal, que aguarda receber, a partir de novembro deste ano, os primeiros protótipos para testes e avaliação do notebook de US$100 para uso na educação. A ação interministerial envolve os ministérios da Educação (MEC)e da Ciência e Tecnologia (MCT), além de pesquisadores de institutos brasileiros.
Segundo José Aquino, assessor da Presidência da República que está acompanhando o projeto, os protótipos serão produzidos pela organização não-governamental One Laptop Per Child (Olpc – Um Computador Portátil por Criança), ligada ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos.

Viabilização do projeto depende de 5 milhões de pedidos

Mas para que o projeto seja colocado em prática, que nasceu da proposta feita ao governo brasileiro, no início de 2005, pela Olpc, a organização aguarda reunir, pelo menos, cinco pedidos de um milhão de unidades, podendo ser de um ou mais países.
Para Roseli de Deus Lopes, coordenadora da avaliação feita pela USP, sobre a tecnologia que será usada e sobre as placas-mãe, cedidas pelo MIT, avaliando tecnologia, viabilidade econômica e potencialidade pedagógica, mesmo que o governo não faça acordo com a Olpc, a ação permitirá a educadores e pesquisadores brasileiros grandes possibilidades em pesquisa e desenvolvimento.
- O projeto tem caráter de inovação tecnológica, mas ele é basicamente pedagógico. Agora, independentemente do Brasil aceitar a proposta, a Olpc não irá começar a produção industrial dos notebooks antes de maio de 2007- ressaltou Aquino.
Uma das principais características desse computador é seu sistema de conexão sem fio, denominado Mesh. De acordo com avaliação da USP, basta que um computador esteja conectado à Internet para que todos demais aparelhos com mesma tecnologia localizados a uma distância mínima também tenham acesso ao conteúdo online, formando uma rede.
Como sistema operacional, os computadores usarão um programa de software livre com linguagem Linux, sem custos de direitos autorais. As equipes que avaliam a placa-mãe estudam as possibilidades de desenvolvimento de softwares específicos para uso no Brasil.

Falta de tecnologia veta fabricação no Brasil

O aparelho apresenta diferença no desempenho se comparado a computadores portáteis convencionais, mas é inegável, segundo Roseli, a oportunidade de inclusão digital entre os estudantes brasileiros. Quanto à produção no Brasil, a pesquisadora avaliou que o Brasil não apresenta parque tecnológico para produzir os notebooks com os mesmos custos.
Uma outra ação de inclusão digital, mais abrangente, do Governo Federal, o Projeto Cidadão Conectado - Computador para Todos, iniciado em 2003, prevê possibilitar a população que não tem acesso ao computador possa adquirir um equipamento de qualidade, com sistema operacional e aplicativos em software livre, que atendam ao máximo às demandas de usuários, além de permitir acesso à internet.
Para a compra do equipamento, o Governo Federal disponibilizará linhas de financiamento mais vantajosas. Serão concedidas condições especiais para os computadores credenciados no projeto Computador para Todos. Atualmente existem duas linhas de crédito aprovadas, uma do Fundo de Amparo ao Trabalhado (FAT), operada pelos bancos públicos, e outra pelo BNDES.
O Projeto não apenas disponibilizará o acesso às tecnologias, como também permitirá que toda uma cadeia produtiva venha a ser reforçada no Brasil, inibindo a ação do mercado “cinza”, que não paga impostos nem contrata mão-de-obra com garantias trabalhistas.

POVO FALA
. Fabiana da Silva, 13 anos, estudante do Colégio Estadual João Goulart “Seria legal porquê iria ajudar na educação. Eu tenho um computador, mas todo mundo tem que ter noção.”


. Simone de Oliveira, 28 anos, mãe de um estudante do Colégio Municipal Lins de Vasconcelos
“Meu filho vai aprender, porquê não tenho condições de comprar. Se no colégio tiver, já fico satisfeita.”


. Rosilene dos Santos, 32 anos, mão de dois estudantes do Colégio Estadual Duque de Caxias

“Se isso for verdade vai ser muito bom. Para qualquer emprego pedem informática. Nós não temos condições, então a escola ajuda.