Jornalismo digital móvel – a nova era da comunicação
Nunca se falou tanto em convergência como nos nossos dias. Essa palavra ganhou importância por conta de vários aspectos, um deles é a convergência tecnológica, a chamada tecnologia All-in-One ou aparelhos multifuncionais. A telefonia móvel vem se adaptando a essa nova era, deixando de ser apenas um mero telefone sem fio e ganhando diversas utilidades. Além de sua função primordial, os celulares são agendas, despertadores, calculadoras, máquinas fotográficas, gravadores etc. Recentemente, as empresas de jornalismo também perceberam a eficácia deste equipamento para a difusão de notícias.
Ter um celular hoje é coisa banal, mas não foi sempre assim. As linhas eram muito caras, porque raras, e o serviço era precário. A virada ocorreu devido à troca do sistema analógico pelo digital na década de 90, multiplicando a quantidade de linhas – por isso ficou também mais barato – e possibilitando a transmissão de dados e acesso a Internet. Era o que faltava para o celular se tornar também um terminal de informações jornalísticas em massa, se unindo ao rádio, à televisão, ao jornal e à Internet.
O grande divulgador da transmissão de dados pelo celular foi o SMS (Short Massage Service), o famoso “Torpedo”. Estima-se que, somente no ano de 2003, o tráfego de SMS alcançou sete bilhões de mensagens. Mas a revolução no celular foi mesmo a entrada da tecnologia MMS (Multimídia Massage, Service), que veio a possibilitar o envio de mensagens com imagens coloridas, textos e sons.
A rede de serviços encontrada atualmente no celular se deve a uma simbiose perfeita. A operadora oferece um pacote mais atrativo de serviços a seus clientes e as corporações difundem suas marcas, serviços e conteúdos, ou seja, possuem mais um ponto de venda.
A Folha de São Paulo, há seis anos, foi a primeira empresa de comunicação a lançar um serviço de notícias exclusivo para a telefonia móvel, a FolhaWAP, com tecnologia SMS. Dois anos depois, utilizando a MMS, lançou o Fotogol, com fotos de lances decisivos do Campeonato Brasileiro de Futebol. A Editora Abril também oferece o conteúdo de suas principais revistas em diversas operadoras no país. Geralmente, o usuário paga a assinatura para ter acesso ao conteúdo e a empresa paga a operadora por dados enviados.
Apesar dos avanços, o jornalismo digital móvel ainda está engatinhando. “As tecnologias disponíveis já abriram espaço para investimentos em telefonia celular, uma vez que esta é uma área que nenhum jornal deve ignorar, este é um mercado que está crescendo rápido e qualquer um com conteúdo, uma marca e uma base de consumidores deveria estar apto para capitalizar nele” – analisa o professor da Escola de Comunicação da USP, Paulo Henrique Ferreira.

