TENDÊNCIA ZERO

JORNAL DESTINADO A DIFUSÃO DAS NOTICIAS SOBRE TECNOLOGIA, INFORMAÇÃO E EDUCAÇÃO. OS COLABORADORES DESDE SITE, SÃO ALUNOS DE JORNALISMO E PUBLICIDADE, POR ISSO PODE-SE ESPERAR MATERIAS COM UM SUTIL SABOR DE MALICIA E TENDENCIOSO AO EXTREMO... DIVIRTA-SE!!!

07 novembro 2006

O Horizonte do jornalismo é digital – entrevista com Marcos Larosa

Por Leandro Martinelli

Marco Antônio Larosa é coordenador do curso de Comunicação Social da Universidade Candido Mendes dos campus Tijuca e Niterói. Em entrevista ao Tendência Zero disse que o jornalismo digital e o jornalismo digital móvel representam o futuro da comunicação, é uma tendência que se impõe frente às novas necessidades da modernidade, como a busca pela rapidez e objetividade na informação, pela facilidade de acesso e pelo baixo custo operacional para produzi-las e veiculá-las. O emissor enviará mensagens que serão recebidas de forma difusa e de acesso individualizado, em horários e locais variados pelos receptores, modificando o conceito de horário nobre, o momento The Simpsons ­– desenho animado que mostra a família Simpson junta no sofá em frente a tv. Para ele, a precisão da informação e a credibilidade serão os fatores que farão vingar ou não um veículo.


As grandes empresas de comunicação de massa estão interessadas em investir nessas novas tecnologias – Internet e celular – como possíveis substitutos dos atuais canais, como a tv, o rádio e o jornal impresso?
A tendência é a evolução. Através da tecnologia você ganha em velocidade, ganha em qualidade, atinge seu público-alvo de uma forma mais eficiente. O investimento em tecnologia, na área de comunicação, é fundamental. E vou dizer mais, você é praticamente refém. Porque a cada nova tecnologia, se você não se adapta, fica para trás em relação à concorrência. Isto pode causar um prejuízo direto não só na qualidade da sua informação, como também na agilidade com que essa informação chega ao teu público.

A Internet e o celular podem ser considerados veículos de massa?
No momento não, porque poucas pessoas vão ter acesso. Um equipamento desses vai custar 900 reais, mil reais, dois mil reais. Vai ter uma média como essa. O computador é uma comunicação de massa? Não. Tem uma forte incidência no Sudeste, beirando nove milhões de usuários com ponto de rede em casa. No Norte e Nordeste essa realidade não existe. Pouquíssimas pessoas têm acesso à rede. As empresas que têm terminais ligados à rede, você está bloqueado por uma questão de produtividade. Orkut, MSN, sites de bate-papo são bloqueados, senão você diminui a produtividade. No dia que esses 180 milhões de habitantes tiverem acesso à rede, tudo muda.

A televisão aberta no Brasil é distribuída para pouco mais de seis emissoras e uma delas, a Rede Globo, consegue índices de audiência de 80% no horário nobre. Levando em conta que a tv está inserida em 91% dos lares brasileiros, será que essas emissoras têm realmente interesse em investir nesses pequenos nichos de mercado – a Internet e o celular?
Você abre mais a concorrência. É uma questão de modismo. Quando não tinha celular no Brasil, por exemplo, as pessoas faziam fila para comprar um tijolão daqueles. Porque é novidade, porque dá status. Cria-se o modismo. Você não pode ver televisão no carro, você não pode ver televisão no seu trabalho, você só pode ver quando está em casa, que é uma raridade. As pessoas perderam um pouco esse hábito de Simpson, de todo mundo sentado no sofá vendo televisão. Hoje não. Qualquer tipo de informação que você possa obter de forma imediata, por que não? Na telefonia móvel vou ter acesso direto à Internet – acho que vai ser até gratuito, como um diferencial das empresas –, aí, no seu Palm Top você vê Internet, vê televisão, apura, se entretém, e por ser uma questão de modismo, dificilmente alguém vai ficar para trás nessa história. Vão deixar até de comer para comprar um equipamento desses.

Quem busca mais a popularização da comunicação digital móvel, as empresas de comunicação, a indústria de aparelhos de celular, as operadoras de telecomunicações ou é um negócio que interessa a todos?
Interessa a todo mundo. O mercado digital é um mercado amplo. Qualquer um pode chegar com baixo custo. Diferente numa televisão, que tem um custo fantástico para montar. Se você montar um newsletter, blog, que você envie para os celulares das pessoas, o seu custo é infinitamente menor, basta um servidor, um endereço virtual. É muito mais barato. O que vai fazer a diferença é a credibilidade, a precisão da informação. Eu recebo, por exemplo, duas revistas digitais de publicidade. Eu não compro por mês a mensagem, ela vem atualizada semanalmente. E quando sai um fato novo, é negócio de dois dias, já recebo uma outra revista dessas, outro newsletter. Tem credibilidade? Tem. As informações são precisas? Então me interessam esses e-mails. É como um serviço a mais que as operadoras vão me oferecer. Isto é vantajoso. Agora, repito, quem largar na frente deste mercado vai se posicionar melhor. Para nosso mercado de comunicação, ele está francamente aberto neste sentido. Qualquer um, eu, você, qualquer pessoa, montamos um negócio, como a nossa agência UCAM de Notícias. Os alunos recebem por e-mail, os diretores recebem por e-mail, praticamente a Candido Mendes toda recebe isso por e-mail. Como é que é feito? Dois alunos. Olha o custo operacional disso! As informações são captadas, são disponibilizadas de uma forma clara e objetiva, uma linguagem de fácil acesso, curtas, só com as essências, e você fica bem informado. É claro, se eu quiser conhecimento eu tenho que me aprofundar. Aí sim, eu vou pesquisar, vou acessar a Internet, vou ver telejornais, vou ler ainda um jornal, vou me aprofundar no assunto. Agora, dizer que você não tem informação, isto não pode mais ser dito.

Já que esse mercado está aberto, a gente pode pensar na possibilidade de um curso específico, de extensão, por exemplo, para preparar profissionais para atuarem nesta área?
É possível. Inclusive a disciplina que nós temos aqui, de Jornalismo Digital, ela está totalmente voltada para essa questão do newsletter e do blog. Não temos mais informativos impressos, exceto no laboratório, porque é uma questão de lei. O MEC exige que tenha ainda a impressão do jornal laboratorial. Jornalismo Alternativo, Jornalismo Digital e Jornalismo Empresarial são as três disciplinas do curso em que seus produtos já são digitais, não tem mais impressão. Agora, como fazer, como buscar a informação, a disciplina procura ensinar. Um curso de extensão para você efetivamente atuar neste mercado é uma intenção boa, não só de alguns alunos como também do próprio curso. A gente pretende criar uma oficina disso, criar um blog só para ela e aí, sim, aprender desde o processo de como se busca na Internet, como é que se associa, como é que se monta e, a partir daí, como se abastece. Porque o problema não é montar – tecnologicamente é fácil –, o problema é abastecer com informações precisas, que é o que vai fazer vingar ou não o seu veículo. O pior não é aprender a fazer, fazer é fácil, é um processo mecânico, é ter a consciência de apurar de forma correta.

A informação que é recebida pelo celular tende a ter sua recepção prejudicada mais do que nos outros canais. Que tipo de mensagem é mais apropriado para o celular?
Curta e grossa. Não adianta você querer contar história. Ter um celular hoje, que é pequenininho, miudinho, também muda. Ele passa a ser maior, do tamanho de um Palm Top ou até um pouco maior, com tecnologia para você ter acesso à leitura com letra maior e também a imagens. O texto tem que ser claro e objetivo para que você perceba rapidamente num passar de olhos. Não pode ter mais do que duas linhas.

Você se considera um entusiasta do jornalismo digital e do jornalismo digital móvel?
Não, é uma questão de avanço tecnológico. Não tem jeito.

Convergência de Mídias

Por Alexandre Chrispim, Éderson Ribeiro, Julio Todesco Longo

Jornais e rádios online, televisão digital, celulares com acesso à internet. Uma tendência que cada vez mais vem ganhando espaço no universo da informação é a convergência de mídias. É provável que num futuro próximo não seja mais possível pensar os veículos de comunicação isoladamente uns dos outros, mas somente através de uma rede multilateral de intrinsidade. Mais que isso, já é possível vislumbrar uma relação de total interdependência entre estes veículos, tornando impossível, inclusive, a distinção entre eles.
Para Nilo Peçanha, produtor de conteúdos audiovisuais para telefone celular, uma das mudanças será cultural, decorrente de um crescimento brutal na comercialização de bens simbólicos. Ainda assim, todo este comércio estará acessível na palma da mão. Ficou curioso? Acompanhe o bate-papo do profissional com o Tendência Zero:

Fale um pouco sobre o seu trabalho.
Produzimos conteúdo audiovisual para telefonia móvel. Nosso público prioritário são adolescentes e jovens. As op­erador­as começaram a oferece­­r, no ano de 2004, a possibilidade de se baixar pequenos vídeos no celular. Essa nova tecnologia atende à demanda por parte das operadoras em oferecer os chamados SVA (Serviços de Valor Agregado) aos seus assinantes. Surgiram novas siglas para expressar estes serviços: SMS (Short Message Service), GPRS (General Packet Radio Service), MMS (Multimedia Messaging Service), WAP (Wireless Application Protocol). O que ocorre na prática é a possibilidade do serviço de telefonia móvel atuar como integrador de muitos outros serviços. A conexão em portais WAP via rede GPRS, possibilita o acesso a informações de toda ordem: notícias, blogs pessoais, foto blogs, serviços de utilidade pública, conteúdo jornalístico, esotérico, adulto etc. A indústria de aparelhos cria junto com as operadoras estas novas ofertas que buscam targets altamente segmentados, e estes buscam, no consumo e acesso destes serviços, atenderem ao estilo de vida contemporâneo.
A tecnologia que permite os downloads de vídeo, passa por uma integração de tecnologias das mais distintas: o aparelho compatível com a tecnologia de rede GPRS conecta-se à internet acessando uma página que foi montada em protocolo WAP. Esta página está hospedada em um servidor, que tem carregado um software para gerenciar os conteúdos ali disponibilizados. O cliente acessa e autoriza que esses conteúdos sejam carregados na memória de seu aparelho, para posteriormente assisti-lo. Temos aqui o ciclo de consumo fechado por vários agentes tecnológicos que permitem o surgimento desta nova mídia e seus conteúdos.
Uma das barreiras mercadológicas, que precisava ser quebrada, era a do custo para o consumidor final do aparelho compatível com esses recursos, já que os aparelhos disponíveis à época eram caros, não permitindo a massificação. Foi quando a operadora Oi, em convênio com o fabricante Motorola e com a empresa japonesa de software Nancy, criaram uma solução integrada para viabilizar a oferta em grande escala. A Nancy desenvolveu um software de compressão de vídeo que permite adequar o tamanho do arquivo às possibilidades de armazenamento do aparelho Mortorola C355v, que tinha um baixo custo. A Oi ofereceu à rede GPRS os meios de promoção e os canais de venda deste novo produto, junto com a aquisição de parceiros de conteúdo para disponibilizar no portal chamado Mundo Oi. Com este ciclo fechado e ajustado, a oferta surgiu nos pontos de venda com o preço para o consumidor final em torno de 20% do valor do aparelho disponível no mercado. Houve um aumento significativo da base de clientes interessados neste novo produto. Poucos meses após a Oi ter saído na frente, todas as outras operadoras começaram a oferecer serviços semelhantes. O fundamento é o mesmo, porém as outras operadoras estão, normalmente, oferecendo este tipo de serviço dentro de um sortimento de Serviços de Valor Agregado.

Há algum tipo de interatividade direta do seu trabalho com outras mídias (como a internet)?
Sim. Todo nosso trabalho é baseado em internet, pois as plataformas que viabilizam o acesso dos consumidores aos conteúdos, são baseadas nela. Além disso, disponibilizamos para nossa audiência sites que dão mais informações sobre os nossos títulos, como o
www.toosexy.com.br.

Neste mercado, em específico, já é possível determinar alguma tendência?
A tendência é que o donwload de vídeo seja sucedido pelo video stream (a transmissão de vídeo em tempo real através de rede e dados, é vídeo continuo no celular sem precisar armazenar). Os novos hand sets (novos aparelhos), virão com a possibilidade de vídeo stream como diferencial. Os mais baratos terão o video download como comodities (do mesmo jeito que há alguns anos atrás, os aparelhos que mandavam torpedo de texto eram “melhores” do que os que não tinham este recurso e hoje todos, do mais barato ao mais caro, têm o recurso de enviar texto. Portanto, este recurso virou padrão ou comodities).

E de uma forma mais ampla, como você enxerga o fenômeno da convergência de mídias a longo prazo? Que tipos de mudanças ela acarretará?
É impossível prever o que acontecerá do ponto de vista cultural, pois o acesso a bens simbólicos crescerá em escala como nunca antes visto. Teremos, por exemplo, um único hand set na palma da mão que terá acesso a tudo.

É possível vislumbrar a hipótese de, no futuro, o processo de convergência se dar de tal forma que se torne impossível fazer uma distinção entre as próprias mídias? Chegará o dia em que não haverá diferença entre uma televisão e um computador, por exemplo?
Sim, não haverá diferença de acesso. Entretanto, acredito que cada mídia sobrevivente terá que se adaptar à oferta descomunal de bens simbólicos.

Por que? Que tipo de diferença de ordem, para usar o termo que o você utilizou, “simbólica”, os bens circulantes deverão apresentar? Com base em quê você sustenta tal previsão? E, para terminar, o que já não é previsão?
Ainda existe uma grande dificuldade de gerar conteúdos fora das grandes estruturas de distribuição, entretanto, o comércio de conteúdo audiovisual nas redes de telefonia móvel mostra claramente que os grandes produtores estão tendendo a perder seu poder hegemônico. Pode-se dizer que está em curso uma “democratização” dos canais de distribuição, que terá seu ápice, certamente, com advento da IPTV - Internet Protocol Television - que, em português, significa algo como “Televisão sobre Protocolo de Internet” ou, simplificando, “TV via Internet”. Trata-se de uma tecnologia que vem sendo desenvolvida há cerca de 10 anos e visa viabilizar a transmissão de conteúdo televisivo via internet. Ao contrário do que se pode imaginar, quem está à frente dos investimentos em pesquisa na área, que já totalizam mais de US$ 500 milhões, não são as empresas de televisão a cabo e sim empresas de telefonia norte-americanas, como a SBC, Comcast e Verizon. Essa última já atua em algumas cidades norte-americanas, transmitindo programação via internet.
As empresas de televisão a cabo, que a priori seriam as mais interessadas na tecnologia, ao que parece estão subestimando o potencial de penetração no mercado destas tecnologias. Elas duvidam da eficiência da tecnologia e dizem que não há nenhuma pressa em introduzir serviços de TV mais interativos do que o vídeo sob demanda e os gravadores digitais de vídeo. Um dos principais argumentos dos que criticam a IPTV para uso de acesso a conteúdo web, é o fato da resolução dos aparelhos de TV comuns não permitir uma boa visualização, o que só é contornado com aparelhos equipados com telas de melhor qualidade. Apesar das resistências de alguns setores da indústria da tecnologia outros estão investindo pesado, acreditando no futuro da IPTV, como Bill Gates, que após perceber que não seria viável entrar sozinho neste mercado, fez parceria entre a Microsoft e as três empresas de telefonia citadas acima, além de acordos semelhantes com empresas de comunicação da Itália, Índia, Espanha e Canadá. O objetivo da gigante americana é estar presente, com seus softwares, num mercado de bilhões de dólares e para o qual convergirão vários meios de comunicação, telefonia, entretenimento, informação, serviços e tudo mais que podemos e poderemos encontrar na internet, sendo posto para a tela da TV, via IP.
O potencial de mercado, cobiçado por Bill Gates, é justificado pelos serviços que são possíveis de serem ofertados via IPTV. Alguns exemplos de uso desta tecnologia são bastante animadores: identificação de chamadas telefônicas, e-mail e correio de voz na tela da televisão, programação de um gravador de vídeo digital via telefone celular, obtenção de dados da internet durante programas (por exemplo: para saber mais, durante uma corrida de Fórmula 1, sobre a carreira de um piloto), acesso aos vídeos de eventos com possibilidade de se ter múltiplos ângulos de câmera, entre outras possibilidades.
Quando se pensa na possibilidade de ter acesso à internet pela TV e todos os serviços e conteúdos nela disponíveis – além de se ter as mesmas facilidades de lazer a que estamos acostumados na "telinha" – temos um acesso facilitado em vários aspectos. A interface do usuário do equipamento é bastante simplificada, pois a maior parte dos serviços disponibilizados é acessada com uso de um controle remoto semelhante ao que temos em casa. O custo do equipamento de acesso (o aparelho de IPTV) é significativamente mais baixo que um computador, girando em torno de US$ 200.00, com controle remoto, teclado e mouse sem fio; Os programas envolvidos são bem mais simples que os encontrados em computadores, tornando o uso mais intuitivo e imediato (não há inicialização do Windows para ligar o aparelho). Estas características aumentam o público potencial de acesso à internet. Boa parte da população que sofre de "exclusão digital" pode passar a usufruir os serviços que a rede propicia, incluindo educação à distância. No Brasil ainda vai demorar para a IPTV se tornar uma realidade. Empresas como Telemar, Brasil Telecom e Telefônica fazem testes com a tecnologia, mas sem qualquer projeção de lançamento do serviço. Mesmo porque, para tal há a necessidade de ser ter uma boa infra-estrutura de conexão de alta velocidade, o que ainda está longe de nossa realidade.
A possibilidade de receber programas favoritos de TV, a qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer aparelho, seja ele televisor, computador, celular, PDA ou monitor em veículos. Tudo isso será possível em menos de cinco anos, com a TV sobre Protocolo IP. Com ela, teremos à disposição milhares de opções de programas, para recepção nos mais diversos ambientes tecnológicos, como a internet, a telefonia fixa, o celular, o DTH (via satélite), o cabo, a rede elétrica (powerline communications) ou as redes sem fio Wi-Fi ou WiMax.
A IPTV foi a grande estrela da NAB-2006, evento realizado em Las Vegas, numa promoção da NAB (National Association of Broadcasters), a Associação Norte-Americana de Radiodifusores. Embora não seja ainda realidade comercial, a televisão sobre protocolo IP já é uma realidade tecnológica.
Como sabemos, a televisão nasceu analógica e em preto-e-branco, ainda em laboratório, em 1926. Como comunicação de massa, no entanto, ela só se tornou realidade a partir do final da Segunda Guerra Mundial, em 1946, nos Estados Unidos e na Europa. E chegou ao Brasil apenas quatro anos depois de sua introdução nos Estados Unidos, em 1950. No mundo, as transmissões comerciais em cores só aconteceram nos anos 1960. E no Brasil em 1972. A digitalização começou no final da década de 1990. Com a ascensão da internet, o protocolo IP acabou se transformando numa espécie de padrão mundial de fato.
Como subproduto da internet, a IPTV integra o conjunto das redes de nova geração, conhecidas como NGN (New Generation Networks), que são redes IP de banda larga. Desde 1991, o mundo começou a especular sobre a possibilidade de criação de uma TV com essas características, com base nos padrões da internet.
Uma coisa é certa, com a chegada da nova televisão, o ambiente de comunicação eletrônica de massa tende a se tornar ainda mais competitivo e diversificado, possibilitando a entrada de novos fornecedores de conteúdo, de empresas de informação e de operadoras de telecomunicações. No Brasil, por questões de regulamentação e de conflitos de interesses, a polêmica já está instaurada em todas as instâncias da indústria do audiovisual.

Internet inclusão ou risco para crianças e adolescentes

Monike Oliveira

A comunicação e a publicação de informações na internet não têm supervisão de nenhuma entidade. A maior parte dos serviços se encontra sem qualquer restrição ou controle à disposição dos usuários. Entre eles, os mais jovens formam um grande contingente. A internet oferece acesso a sites pornográficos, contato com pessoas desconhecidas através das salas de bate papo, dos messengers, do site de relacionamento – Orkut; expor informações familiares confidenciais nos cadastros de sites não confiáveis, além de obter dados errados de pesquisas, uma vez que qualquer um pode publicar o que quiser na rede.
Pensar que a internet não oferece perigos ou que estes só afetam “os outros” é assumir uma atitude inconseqüente. Tomar consciência dos riscos, estar informado de como os prevenir ou diminui-los, orientar as atividades das crianças e adolescentes na internet. Observar a ferramenta Histórico para saber quais sites recentes foram visitados, assim como a constante supervisão do uso, podem ser as chaves para garantir uma utilização em segurança.
A internet para as crianças que a utilizam com intuito de aprendizado, pesquisa, e de se manterem atualizadas, sob a orientação dos pais pode ser a iniciação no mundo digital. A globalização cada vez mais tem impulsionado o aprendizado tecnológico e com isso a internet, meio que liga todo o mundo. A inclusão digital é um diferencial para os adolescentes que estão na disputa por um bom emprego.
O aumento da utilização da internet pelas crianças é fato a se discutir. Casos isolados mostram que a internet pode ser também motivo para o baixo rendimento escolar das crianças e adolescentes, em função da grande exposição à rede e do tempo gasto pelas crianças diante do computador.
O perigo na internet existe e dados da pesquisa “Opinando em Grande", realizada pela organização Ação pelas Crianças, em convênio com o instituto de pesquisa IMASEN, feita com 413 crianças entre 11 e 17 anos, mostra que 8% dos menores revela seu correio eletrônico para qualquer pessoa e mais de 5% já foi assediado por uma pessoa conhecida através da internet. Estes dois índices dão idéia do perigo que existe ao redor dos avanços da rede mundial de computadores. O fato de que delinqüentes sexuais fazem uso da rede para cometer seus delitos. Fato que deve ser levado em consideração na hora de restringir o uso das crianças.
Paulo Henrique Ximenes de Bustamante, de 14 anos, aluno da 8ª série de um colégio particular, diz que ele não dá o endereço do correio eletrônico para desconhecidos, mas colegas dele têm o costume de passar o endereço.
É necessário muita informação, alertas, avisos, diálogos e amor dos pais ao auxiliar as crianças quanto a utilização da internet, e fazer desta utilização um recurso de crescimento e aprimoramento quanto a tecnologia.

INTERNET: NOVO ESPAÇO PARA O JORNALISMO

Por Monike Oliveira
A entrada definitiva da internet no Brasil aconteceu em 1995, e cada vez mais está presente no nosso cotidiano. Paralelamente seu impulsiona transformações no setor jornalístico. Grandes grupos editoriais brasileiros perceberam que a internet representa um mercado em expansão, que pode ser bastante lucrativo e surgem diversos investimentos em desenvolvimentos de serviços para a mídia online e na produção de publicações digitais. Hoje, as publicações brasileiras na internet já chegam a mais de 500 e cresce cada vez mais o número de jornais e revistas do mercado editoral brasileiro que optam pela rede.
A forte entrada e a aceitação dos leitores de jornais e revistas na internet inauguram um novo veículo de comunicação. O jornalismo digital representa uma revolução no modelo de produção e distribuição das notícias que são atualizadas a todo instante, mecanismos de busca em classificados online e uma série de outros serviços só são possíveis graças ao suporte digital. Os baixos custos de produção de sites na Web também é um fator determinante para o crescimento deste setor.
As transformações no setor jornalístico acontecem por diversos fatores, entre eles, a excessiva preocupação com a "obrigação" de veicular uma notícia a cada segundo na rede, onde em alguns casos, pode se opor ao bom e velho conceito do jornalismo de investigação, apuração e veracidade das informações. A produção e a distribuição quase que “instatânea” da notícia alteram as rotinas de trabalho dos jornalistas e colaboradores submetidos às pressões do tempo real e da ideologia da transparência, assim como a criação e o aprendizado de uma nova linguagem a ser utilizada na internet. Apesar dos textos jornalísticos - claros, objetivos e que dão ênfase à notícia - continuarem sendo feitos da mesma forma, o novo texto jornalístico, na verdade, tem apenas uma outra roupagem. Poderíamos dizer uma outra diagramação ou design. O jornalista deve saber levantar o fato, entrevistar e escrever, visando atingir um leitor “com fome” de notícias, com uma boa formação cultural e, quase sempre, com pouco tempo e paciência de exposição diante do computador.
A internet também se tornou uma poderosa ferramenta de pesquisa para os meios de comunicação tradicionais, criando uma nova maneira de se "fazer jornalismo".
O diferencial da internet, e com isso do jornalismo na internet, é que ela nos permite cobrir um fato através de recursos multimídias, além da escrita, o uso de fotos, gráficos, som e vídeo. Em sua constante evolução, cada vez mais são criados recursos tecnológicos interativos. Mas alguns desses recursos ainda estão no início nas publicações brasileiras, em função da qualidade da conexão à rede. Atualmente, a média da conexão dos internautas brasileiros é de 33.600 bps, mais conhecida como conexão discada, e esse é um fator para que os sites não explorem recursos tecnológicos que precisam uma boa conexão, como por exemplo, o áudio e o vídeo. A crescente expansão da banda larga de provedores com acesso via cabo e fibra ótica, traz a expectativa de que em pouco tempo as pessoas tenham uma conexão mais rápida com 128Kbps.
De forma lenta e sem muita divulgação, os sites noticiosos estão começando a utilizar uma revolucionária ferramenta de informação: o vídeo, como a globo.com e band.com.br que dispõem de muitos recursos para quem possui banda larga. Esse também é o grande desafio dos sites noticiosos, produzir um conteúdo que possa ser enriquecido com links para outros sites, mapas interativos, fóruns, chats, áudio, vídeo.
Acima de tudo deve ser levado em consideração que a internet é mais do que um meio de comunicação e informação é também, e essencialmente, de entretenimento.

03 outubro 2006

Nova tecnologia trará a imagem do cinema para sua casa

"A mídia de massa passa por um momento de mudanças para se adaptar às tecnologias de ponta, aos gostos do público, aos desafios da Internet e aos novos canais informatizados."

Luiz Daniel Guimarães

Entrevista com o engenheiro de mídias da TV Globo, Sr. Roberto Medina Jr., responsável por desenvolver novas tecnologias, sistemas digitais e mídias alternativas. Ele nos recebeu em seu escritório para falar sobre os benefícios do novo sistema digital de transmissão televisiva.

Tendência Zero: O que é televisão hoje?
Roberto Medina: A televisão exerce sobre a sociedade um fascínio tão grande, que são poucos os lares que não dispõem de um aparelho televisivo. A crescente procura deste meio de comunicação incentivou a produção e a investigação tecnológica. Ao mesmo tempo reduziu o custo de produção e de aquisição do aparelho. A concorrência que se gerou neste setor conduziu a uma progressiva melhoria na qualidade da imagem e do som. Um dos expoentes máximos em qualidade de imagem que poderá em breve invadir as nossas casas é a televisão de alta definição. Com este sistema pretende-se aumentar a definição da imagem e do sinal de áudio em relação aos atuais sistemas, possibilitando uma qualidade semelhante a do cinema.

TZero: Qual o tempo necessário e os padrões pesquisados no mundo para o HD?
RM: Toda inovação demora a ter seus conceitos consolidados e a adoção desta tecnologia é relativamente recente para transmissões de TV aberta. Três padrões competem por este mercado, sendo que um quarto padrão deve ser definido até o final do ano. Entre eles existem mais similaridades que diferenças, pois todos são baseados em tecnologias amplamente conhecidas. A diferenciação entre eles sempre é conseqüência de demandas específicas dos países de origem.

TZero: Quais os objetivos da tecnologia HDTV?
RM: Pretendia-se a melhoria da qualidade de imagem, no âmbito da difusão. Contudo, atualmente, já se verificou que esta tecnologia poderá ser facilmente alargada a outras áreas, como comercial, educacional e muitas outras trazendo consigo consideráveis benefícios.

TZero: O que a nova tecnologia HDTV pode oferecer ?
RM: A imagem é composta por um determinado número de linhas de varredura, que podem ser detectadas pelo olho humano quando observadas a uma determinada distância. Esta pode ser diminuída se aumentarmos o número de linhas vistas para uma mesma altura de imagem. Nos atuais sistemas, a distância de visão é aproximadamente seis vezes superior à altura da imagem. Porém, a HDTV, ao duplicar a definição, permitirá que essa distância seja reduzida para metade, isto é, cerca de três vezes a altura da imagem apresentada no televisor.

TZero: O senhor acredita na integração das mídias com a televisão de alta definição?
RM: Não há dúvida de que a mídia passa por um processo de transformação crucial. Isso não significa que os meios de comunicação antigos sejam arcaicos ou inutilizáveis. Os novos meios de comunicação, como a Internet, os livros eletrônicos, DVD, CD-Rom, telefones por satélites e outros mais vêm substituindo os meios de informações clássicos. O HDTV (televisão de alta definição), por exemplo, apresenta a vantagem de uma tela com o dobro de linhas de definição da TV convencional e som estéreo. A mídia de massa passa por um momento de mudanças para se adaptar às tecnologias de ponta, aos gostos do público, aos desafios da Internet e aos novos canais informatizados. O mercado da comunicação está cada vez mais competitivo. Nele permanece apenas quem se adapta ao gosto do público.

TZero: Como será a mídia do futuro com a chegada da televisão digital?
RM: Primeiro é importante salientar que o governo Lula definiu apenas o padrão de sistema digital, contudo existem outros aspectos que são determinantes que ainda não discutimos até então, tanto tecnicamente como relativos à legislação brasileira, que terá que ser formulada. Imagine que teremos uma demanda de novos equipamento e produtos onde poderemos assistir a novelas, filmes e até shows em nosso telefone celular, e a Internet será integrada à televisão deixando o computador que conhecemos como um objeto obsoleto.

TZero: Como funcionará o merchandising na televisão?
RM: No mundo esta questão não está totalmente explorada, observando os países que já implantaram essa tecnologia serão necessárias várias pesquisas para avaliar a funcionalidade da interatividade da tv digital e o interesse dos anunciantes em investir nesse comércio voltado para a mídia. Podemos imaginar que o telespectador deixará de ser passivo e começará a interferir na programação, aumentando a escolha pessoal.

TZero: Haverá demanda de novas programações e melhoria no conteúdo para o sistema HDTV?
RM: Serão criados novos conteúdos em HDTV, ou seja, o modelo de negócio irá sofrer uma transição indo para os PVR - Personal Vídeo Recorder - sistemas de cobrança pré-pagos, pós-pagos, assinatura, personalização e o conteúdo da programação terá anúncios disfarçados de programas.

TZero: Como funciona o sistema de resolução do HDTV?
RM: Os aparelhos de alta definição são capazes de operar em três resoluções: 480, 720 e 1080 linhas. O modo de varredura pode ser entrelaçado ou não-entrelaçado, mas o que realmente importa é que teremos uma imagem muito melhor e áudio com qualidade de CD.

Sexualidade na Internet - Máscaras, Desejos, Mudanças.

Eduardo Martins

Toda vez que o termo Internet é mencionado nas conversas cotidianas, não importando o direcionamento ou questão a ser levantada, imediatamente ela é associada ao sexo. Essa associação é semelhante a das gêmeas siamesas. Isso é deveras interessante se também traçarmos um paralelo entre Internet e liberdade. Logo, num simples tropeço vamos da liberdade para a libertinagem.
Com o surgimento da Internet, diversas barreiras foram quebradas. Do comportamento dos usuários à maneira como as coisas se organizam nesta nova realidade. Seguindo na mesma direção, o comportamento sexual também foi tomando outras dimensões. Dos movimentos feministas dos anos 60 à criação de revistas especializadas sobre o assunto, foram caminhando de encontro e desde que os dois – sexo e Internet – se encontraram, tem-se observado um casamento de muito sucesso. Mas, a que se deve o sucesso deste relacionamento?
Essa questão pode ser respondida se observarmos que os sites relacionados a sexo costumam ser os mais acessados, não importando a hora, o dia e, inclusive, a faixa etária. Outro fator a ser levado em consideração é que a Internet tem o dom de nivelar diversos estilos e perfis através da facilidade de acessos que o mundo virtual nos permite. Da mesma forma que a Internet nos permite entrar em contato com a música clássica, ela também nos oferece a oportunidade de ouvir o trabalho de uma banda de garagem, assim como permite encontrar suas taras, desejos e curiosidades – as mais absurdas possíveis –, sem perder a privacidade.
A privacidade também pode ser encarada como um bom motivo para o sucesso do sexo na Internet. As pessoas que antes tinham receios de assumir certos desejos, fetiches e fantasias, agora podem desfrutar sem a preocupação de serem descobertas. Para isso, entram em chats com apelidos, não precisam mostrar fotos (ou podem mostrar fotos falsas) que os identifiquem e tudo fica mais velado ainda. Aquelas pessoas que na realidade parecem ser mais recatadas, puritanas e cheias de tabus, no virtual se transformam em devassas, pervertidas e prontas para realizarem seus desejos mais escabrosos. Vale ressaltar que os chats eram a principal ferramenta para se conhecer pessoas virtualmente, já que não existiam sites de relacionamento. Mesmo assim, já se caracterizava a segmentação, típica desses sites, que só concretizou ainda mais a segmentação que a democracia da Internet propicia.
A industria do sexo é uma das mais lucrativas do mundo. O cinema pornográfico é o que mais arrecada em vendas. Juntar a maior ferramenta de divulgação com a indústria de entretenimento que mais fatura também é uma das chaves do sucesso. Enquanto a industria fonográfica esperneava histérica com os prejuízos que os downloads deixavam em seus cofres, a industria pornográfica via na novidade mais uma forma de se ganhar dinheiro. Venda de filmes e taxas cobradas para os downloads são os que sustentam grande parte desses sites.
Muitos dos sites de sexo na Internet são pagos e mesmo os que tem acesso gratuito, possuem áreas destinadas a assinantes que pagam mensalidades.
Seguindo a carona da febre dos sites de relacionamento como o orkut, entrou no ar recentemente o adultfriendfinder.com, da Califórnia, onde você pode se cadastrar gratuitamente, fazer uma espécie de ficha, dizendo o que procura, quais as suas fantasias para que os usuários entrem em contato. Apesar do cadastro gratuito, para entrar em contato com os outros, é necessário que você pague uma espécie de mensalidade. O próprio site oferece formas de pagamento, muito parecido com os planos de saúde. O site tem associados do mundo todo e já tem outros segmentados por opção sexual (para gays) fantasias (sadomasoquismo e suas subdivisões) e inclusive regiões (alguns divididos em países e línguas). O próprio orkut tem inúmeras comunidades cujo tema é o sexo.
A Internet também está criando uma nova geração de comportamento. O “casamento perfeito” também foi capaz de fazer uma incursão cirúrgica e precisa no comportamento tanto de adultos como de crianças. Da mesma forma que muitos adultos tímidos ou com problemas de relacionamento viram na Internet uma chance de encontrar a sua cara-metade (e não importando a distância), ou até mesmo ir de encontro ás suas fantasias, as crianças e adolescentes da “geração Messenger” estão marcando seus encontros e conhecendo ainda mais o sexo oposto através da tela do computador.
A mudança que a Internet tem promovido no comportamento sexual é inegável. Por mais absurdo que possa parecer, num futuro nem um pouco distante, haverá jovens nos divãs de psicanalistas se questionando a respeito da contradição do que se viu na tela do computador e o que se viu na realidade. A descoberta de que “tem textura, cor e cheiro”, diferente do que se vê enquanto está acessando um site pornográfico, assim como jovens que só conseguem ter uma vida sexualmente ativa graças ao computador. Uma coisa é fato: a nova geração já se utiliza dessas ferramentas para abordagem. Muitos só conhecem essa maneira.
Ao mesmo tempo em que a Internet tem feito o papel de Santo Antônio para quem busca um par perfeito, ela também transforma várias pessoas comuns em devassas, dominatrix, escravas e toda forma de exotismo e bizarrice que as pessoas nem imaginam que exista. Algo parecido como no romance “O Médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson, onde o Doutor Jekyll transforma-se em Edward Hyde, uma espécie de lado obscuro do médico.
Logo, com a Internet, as pessoas se sentem completamente livres e desimpedidas para irem em busca daquilo que desejam. Coisas antes guardadas a sete chaves, feitas entre quatro paredes, ganharam novas dimensões. O que antes estava somente nos livros de Bocage, Sade, Masoc entre outros escritores malditos, assim como na imaginação fértil das pessoas, ganhou uma gama mais ampla, tanto em conhecimento, adeptos, curiosos e divulgação. Nunca foi tão fácil e acessível. Basta um clique, uma janela aberta e um portal para ir em busca de suas fantasias.

Ter ossos de titânio já não é um luxo só dos ciborgues



Alexandre Chrispim

“Era um dia frio e claro de abril e, os relógios batiam treze horas...” O que isso tem a ver com implantes corporais? Nada! Eu só gosto dessa frase e não sabia como começar - aposto que Orwell também não sabia como começar “1984”.
Falando em 1984, foi na década de 80 que estreou nos cinemas Blade Runner. O filme conta que no início do século XXI uma grande corporação desenvolve humanoídes que são mais fortes e ágeis que o ser humano comum, mas equiparados em inteligência. São conhecidos como replicantes e utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas.
Hoje, no mesmo início de século XXI, os ciborgues (humanos modificados com implantes tecnológicos) são cada vez mais reais. Esqueça toda a palhaçada de colonização espacial e de ressurreição, os ciborgues de hoje são mais “naturais” do que os dos filmes.

Os implantes vão além do conhecido e chato silicone

Em alguns hospitais, pacientes que tiveram ossos fraturados e não conseguiriam a calcificação completa, recebem um “reforço” de titânio para suas fraturas. Parece estranho, mas o titânio teve um número baixíssimo de rejeição pelo corpo.Os microchips estão sendo testados para outros tipos de implantes. Para os implantes oculares dois aparelhos foram desenvolvidos para restaurar a visão em pessoas com retinite pigmentar e degeneração macular. Ambos os aparelhos foram bem sucedidos nos testes preliminares.
A retina artificial de silicone (Artificial Silicon Retina – ASR) é um microchip que estimula as células danificadas da retina, permitindo a elas enviar sinais visuais para o cérebro. O minúsculo chip é implantado debaixo da retina. O segundo aparelho é a prótese de retina (retina prosthesis – RP) e usa pequenos eletrodos colocados na parte posterior do olho, além de uma câmera.
Apesar de todo o sucesso desses implantes, eles ainda não podem ser utilizados, pois seu tamanho e durabilidade são insatisfatórios. Qualquer aparelho eletrônico precisa de manutenção, para um implante ocular, isso não seria viável para o implantado. Inegável é que em alguns anos eles já estarão completamente desenvolvidos.
Em 2005, aconteceu na França o primeiro transplante de rosto. Uma mulher teve seu rosto deformado por um cão. A mulher recebeu tecidos, artérias e veias de outra mulher que havia tido morte cerebral. O resultado foi satisfatório para os médicos, que agora já conhecem mais um procedimento e as possibilidades de executá-lo.
A tecnologia está sempre evoluindo e está sendo mais utilizada pela medicina. O que torna possível essa evolução é a necessidade que muitas pessoas, portadoras de alguma deficiência, têm de achar alternativas práticas para uma vida independente.
Muitos implantes podem ser feitos hoje, mas todos ainda têm um preço muito alto. Uma coisa é certa, se você quiser ser um Lee Majors, vai precisar pagar mais que 6 milhões de dólares.

O FUTURO DO CINEMA É DIGITAL

Bruno Rasga

Com o desenvolvimento da tecnologia digital, uma verdadeira revolução tomou conta da pós-produção de vídeo. Todos os processos, desde o simples corte aos mais sofisticados efeitos visuais, sofreram mudanças importantes em sua concepção e realização.
Num futuro não muito distante, o método tradicional de edição de filmes que conhecemos (a película de celulóide usada para registrar e projetar imagens a 24 quadros por segundo) será obsoleto. A edição digital já começa a ganhar espaço em Hollywood, com o sistema digital como AVID e o software Final Cut Pro, que é um programa barato e popular. O diretor de cinema Walter Murch, por exemplo, foi o primeiro a ganhar um Oscar com um filme editado em computador, “O paciente inglês” e defende inteiramente o uso dos programas em edição de filmes.
O processo de edição torna-se mais fácil, uma vez que não é necessário assistir muitas imagens. Com o software, vai-se direto a cena que se quer. Espera-se, hoje, que logo se possa concluir a edição de um filme em um único computador, incluindo edição de imagem e som, correção de luz, mixagem do som, efeitos especiais, etc. O filme sai pronto para ser exibido nas salas de cinema.
Além de diretor, Walter Murch é um pensador de cinema. É dele o livro “Num piscar de olhos” (Jorge Zahar Editor, 152 págs., R$ 26,00) dito leitura obrigatória para quem está interessado em montagem cinematográfica. Diretor de filmes como “Poderoso Chefão 2”, “Apocalypse Now”, entre outros, esteve presente à frente de alguns dos principais avanços tecnológicos e Daniel Rezende, montador de “Cidade de Deus”, consultou seu livro e um ano depois estava disputando com ele o Oscar. Ambos foram derrotados pelo terceiro volume de “Senhor dos Anéis”.A tecnologia de projeção digital já existe, agora é uma questão de saber quem vai pagar por ela, se os estúdios ou os exibidores.

As novas Tecnologias dos Aparelhos Celulares

Segundo dados da ANATEL, em 2005 o número de celulares no Brasil superou os 80 milhões

Por Gabrielle Martins e Renata Onaindia

Ter um aparelho celular era sinônimo de status há 15 anos. Os primeiros celulares que surgiram no Brasil, no início da década de 90, tinham um custo muito alto e estavam restritos à elite que tinha condições de arcar com o preço do aparelho e com as tarifas que eram altas.
Com o passar dos anos e o avanço da tecnologia, os celulares e suas tarifas ficaram mais acessíveis, resultando em um aumento impressionante do número de usuários de celulares no Brasil. Segundo dados da ANATEL, em 2005 o número de aparelhos superou os 80 milhões.
Atualmente é quase impossível encontrar alguém que não possua celular, ou ao menos tenha acesso a um. Nos últimos cinco anos, entraram mais de dez operadoras de celular no Brasil e a batalha pelo cliente gerou a oferta de aparelhos e tarifas ainda mais em conta. E a possibilidade de se adquirir créditos, como é feito no celular “pré-pago”, possibilitou que usuários de poder aquisitivo mais baixo pudessem controlar os gastos e utilizar a telefonia celular.
Usuários não sabem utilizar todos os recursos que os aparelhos oferecem
A maioria das pessoas não sabe, certamente, quais as funções do aparelho, utilizando-o apenas para fazer e receber chamadas. Até os modelos mais simples possuem inúmeros serviços que podem auxiliar o dia a dia.
O usuário pode receber em seu telefone resultados das loterias, logo após os números serem sorteados. Pode se informar sobre a previsão do tempo, o horóscopo do dia, entrar em salas de bate papo e muitas outras informações.
Os aparelhos mais modernos têm acesso a conta bancária e permitem pagar contas e fazer compras. Além de baixar músicas, vídeos e imagens. Abaixo cinco tipos de tecnologia de telefonia de celular móvel.

Tecnologia Wap
Permite ao cliente acessar em seu telefone celular uma espécie de web site produzido especialmente para se adequar à tela e aos comandos do telefone.

Tecnologia BREW
Esse sistema baixa aplicações em aparelhos celulares compatíveis. Por meio dele é possível receber vídeos, imagens instantâneas, notícias, emails, fazer download de jogos, tons musicais e acessá-los através do próprio celular.

Tecnologia TDMA
Celular digital que funciona dividindo um canal de freqüência em até seis intervalos de tempo distintos. Cada usuário ocupa um espaço de tempo específico na transmissão, o que impede problemas de interferência.

Tecnologia CDMA
Sistema que funciona transformando a voz ou dados transmitidos pelo usuário de seu celular em um sinal de rádio codificado, que é recebido pelas antenas e transformado novamente para o receptor. Essa tecnologia foi escolhida pela União de Teleomunicações como tecnologia-base para uma das migrações previstas para a terceira geração de telefonia celular (que vai permitir transmissões, por exemplo, de vídeos on-demand com alta qualidade).

Tecnologia GSM
Baseada em divisão de tempo, como TDMA, e considerada a evolução do sistema, pois permite, entre outras coisas, a troca de dados do usuário entre telefones através do Sim-Card e acesso mais rápido a serviços Wap e internet, através do sitema GRPS.

A interdisciplinaridade na Comunicação Social

Por Leandro Martinelli

Os comunicadores estão ganhando mais espaço e prestígio dentro das empresas brasileiras e esta tendência não é só no Brasil. Com a globalização, com a convergência tecnológica e com um ritmo acelerado de mudanças surge a necessidade do profissional polivalente, capaz de se adaptar rapidamente a novas situações. Esta característica já era contemplada na formação dos jornalistas e publicitários, pois seus cursos, além das disciplinas específicas, incluem as mais díspares áreas do conhecimento.
Durante muito tempo a formação de jornalistas era considerada sem um objeto de estudo claro, sem um foco, justamente pelo fato de fazer estudar de tudo um pouco. Esta depreciação foi uma herança do século XX, cujo período da história tinha como objetivo a hiper fragmentação do saber. No entanto, há poucos anos, embora as especialidades estejam salvaguardadas, entra em cena o saber que tem como meta ser mais abrangente, mais global. Edgar Morin, sociólogo francês, um dos defensores desta nova era do conhecimento – o chamado conhecimento interdisciplinar –, afirma que estas ciências não estão guardadas em caixinhas separadas, elas se fundem nos fenômenos do mundo.
Um exemplo desta mistura no cotidiano é o estudo da química orgânica. A produção de materiais sintéticos exige conhecer a molécula na sua tridimensionalidade, ela exercita, portanto, uma faculdade que ultrapassa o estudo da química, que é a capacidade de abstrair volumes, de espacializar, de figurar, tal qual o estudo da estética e da perspectiva.
Em relação a esses novos paradigmas, a Universidade Candido Mendes vem se preparando para largar na frente e lançou uma grade curricular mais adequada às exigências do mercado. De acordo com o coordenador do curso de comunicação da Universidade Candido Mendes, Marcos Laroza, com base em suas participações em congressos, o jornalista e o publicitário terão suas funções fundidas num futuro não muito distante e será uma peça-chave nas empresas. Cuidará da imagem institucional, de toda comunicação interna e da divulgação de produtos e serviços. O comunicador do futuro será All-in-One (Todos em Um), que englobará Relações Públicas, Jornalismo e Publicidade.

27 setembro 2006

Jornalismo digital móvel – a nova era da comunicação

Leandro Martinelli

Nunca se falou tanto em convergência como nos nossos dias. Essa palavra ganhou importância por conta de vários aspectos, um deles é a convergência tecnológica, a chamada tecnologia All-in-One ou aparelhos multifuncionais. A telefonia móvel vem se adaptando a essa nova era, deixando de ser apenas um mero telefone sem fio e ganhando diversas utilidades. Além de sua função primordial, os celulares são agendas, despertadores, calculadoras, máquinas fotográficas, gravadores etc. Recentemente, as empresas de jornalismo também perceberam a eficácia deste equipamento para a difusão de notícias.
Ter um celular hoje é coisa banal, mas não foi sempre assim. As linhas eram muito caras, porque raras, e o serviço era precário. A virada ocorreu devido à troca do sistema analógico pelo digital na década de 90, multiplicando a quantidade de linhas – por isso ficou também mais barato – e possibilitando a transmissão de dados e acesso a Internet. Era o que faltava para o celular se tornar também um terminal de informações jornalísticas em massa, se unindo ao rádio, à televisão, ao jornal e à Internet.
O grande divulgador da transmissão de dados pelo celular foi o SMS (Short Massage Service), o famoso “Torpedo”. Estima-se que, somente no ano de 2003, o tráfego de SMS alcançou sete bilhões de mensagens. Mas a revolução no celular foi mesmo a entrada da tecnologia MMS (Multimídia Massage, Service), que veio a possibilitar o envio de mensagens com imagens coloridas, textos e sons.
A rede de serviços encontrada atualmente no celular se deve a uma simbiose perfeita. A operadora oferece um pacote mais atrativo de serviços a seus clientes e as corporações difundem suas marcas, serviços e conteúdos, ou seja, possuem mais um ponto de venda.
A Folha de São Paulo, há seis anos, foi a primeira empresa de comunicação a lançar um serviço de notícias exclusivo para a telefonia móvel, a FolhaWAP, com tecnologia SMS. Dois anos depois, utilizando a MMS, lançou o Fotogol, com fotos de lances decisivos do Campeonato Brasileiro de Futebol. A Editora Abril também oferece o conteúdo de suas principais revistas em diversas operadoras no país. Geralmente, o usuário paga a assinatura para ter acesso ao conteúdo e a empresa paga a operadora por dados enviados.
Apesar dos avanços, o jornalismo digital móvel ainda está engatinhando. “As tecnologias disponíveis já abriram espaço para investimentos em telefonia celular, uma vez que esta é uma área que nenhum jornal deve ignorar, este é um mercado que está crescendo rápido e qualquer um com conteúdo, uma marca e uma base de consumidores deveria estar apto para capitalizar nele” – analisa o professor da Escola de Comunicação da USP, Paulo Henrique Ferreira.

TV DIGITAL: o sushi mais brasileiro

Fernanda Moraes e Gabriela Fernandes

Melhor resolução e novo formato da imagem, qualidade do som e uma estupenda dose de interatividade do telespectador. São estas algumas das características da TV digital, nova tecnologia que substituirá o padrão analógico até então utilizado no país.
Mas afinal, o que realmente essa tal de tv digital trará de novo? Em que a população brasileira, alimentada por doses diárias de programação televisiva – esse meio lucrativo de comunicação popular, quase indispensável nos mais diversos lares – se beneficiará com tal desenvolvimento? Será que conseguiremos chegar ao supra-sumo da aldeia global postulada por Marshall McLuhan?
Andiamos!
A televisão digital é um sistema de radiodifusão que transmitirá sinais digitais, em lugar dos atuais analógicos. No quesito recepção de sinais, é definida como uma tecnologia altamente eficiente, ao contrário do sistema anterior que perdia cerca de 50% dos pontos de resolução da imagem antes que esta chegasse em nossos lares. Assim, não será raro, e sim um fato, termos a íntegra do sinal transmitido pelas emissoras o que, por conseguinte, nos trará uma qualidade de imagem imune aos ruídos e livre dos chuviscos e fantasmas. Em relação ao som, a nova transmissão nos brindará com um áudio equivalente à qualidade empregada em um CD.
Apesar de todas estas mudanças, nenhuma tem sido tão apregoada e exaltada como a possibilidade total de interação que o sistema possibilita ao telespectador, que passará da simples passividade à ação total. Ele não só poderá – através de pequenos e simples cliques no (cibernético e multiuso) controle remoto – ter a tela de seu televisor dividida em várias janelas, cada uma com um tipo de programação como, e sobretudo, terá acesso à internet, comércio eletrônico, participará de jogos e enquetes entre outras mil modalidades quase sexuais de interação.
Ah! O modelo que o governo brasileiro optou para ser implantado em nosso país foi o empregado no Japão – o SDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial) –, levando em conta a possibilidade de transmissão em alta definição, mobilidade (transmissão de conteúdo para televisores instalados em um ônibus em movimento, por exemplo) e portabilidade (captação da imagem através de aparelhos menores, como celulares). Entre os concorrentes deste modelo estavam o ATSC (Advanced Television Systems Committee), adotado pelos EUA, Canadá, México e Coréia do Sul e o DVB-T (Digital Video Broadcast Terrestrial), adotado por países que já se decidiram em relação a que padrão seguir, em especial os países da Europa, Ásia, África e Oceania.
Para adentrar neste fantástico mundo digital teremos, é claro, que colocar a mão no bolso e com uma bagatela que varia de R$ 276,00 a R$ 760,00 poderemos comprar um Set-top-box, conversor (ou decodificador). Com ele poderemos assistir à TV digital em nosso meia-bomba receptor analógico. A qualidade observada será a mesma de um DVD, independente da transmissão ser em definição standard (SDTV) ou alta definição (HDTV). Se o consumidor preferir, ainda poderá adquirir uma televisão que já possua o conversor.
E se você é um daqueles que reluta às mudanças, principalmente as tecnológicas, eu diria que, infelizmente, elas são necessárias e nada mudará apesar de você fazer biquinho, bater o pé e virar a cara. Resgatarei, porém, suas esperanças e dar-lhe-ei uma oportunidade única de suspiro reconfortante: o telespectador que preferir poderá continuar com a transmissão da TV aberta da forma atual utilizando a sua TV analógica. E que McLuhan e sua aldeia global se instalem lá do outro lado do mundo!

Editorial: Tendência Zero

O Tendência Zero é um jornal eletrônico aperiódico desenvolvido por alunos do curso de comunicação social e voltado para aqueles que se interessam por temas relacionados à educação, informação, comportamento e tecnologia. Aqui, também traremos novas discussões e novos argumentos as questões pertinentes aos assuntos acima citados.
O nome faz alusão à estrutura binária, assim como a necessidade de não vincular a nenhuma outra “tendência” apresentada na mídia. “Zero”, também serve para quebrar com a idéia de edições, visto que o Tendência Zero é um jornal experimental, aperiódico, alternativo e eletrônico, logo, não há como ser serial.
Aqui você encontrará feitos por quem está na luta por um lugar ao sol, ou melhor, o disputadíssimo e tão cobiçado mercado de trabalho. Esperamos que você, leitor, possa se divertir, discutir, comentar e inclusive, dar a sua opinião, pois aqui você também terá direito de resposta. Agradecemos a atenção depositada neste espaço. Este é o Tendência Zero.

26 setembro 2006

Preparem-se para uma revolução. Apresento-lhes o Youtube

Ygor Helbourn

Sabe aquele vídeo de bandidos fazendo exigências enquanto um repórter da Globo e um operador de áudio estavam sequestrados? Lá tem. Sabe aquele vídeo da sua banda favorita tocando aquela música que você sempre quis ver e nunca encontrou? Lá tem. Sabe aquele vídeo daquele bêbado que ficou cantando e dançando em frente às câmeras? Lá tem. Na verdade lá tem tudo. Tudo mesmo. Nada escapa à perspicácia dos internautas. Depois de passar na televisão, basta esperar uns 15 minutinhos e procurar.
Fundado em fevereiro de 2005, o YouTube (que traduzido é algo como "o seu tubo") é um site hospedado nos Estados Unidos que dá a oportunidade dos internautas assistirem vídeos de curta duração (em média 12 minutos) sobre qualquer assunto. Ao entrar no site você se depara com alguns links que o direcionam para vídeos selecionados e um espaço para a busca de palavras relacionadas. Inclusive é a minha sugestão. Escreva uma palavra qualquer e clique em "search". Vídeos dos mais variados aparecerão e você poderá se entreter durante horas pelos links que aparecem na tela enquanto você assiste seu filme. A impressão é que a experiência é interminável.

Acessos diários já passam de 100 milhões

O criador Chad Hurley obviamente não esperava tamanho sucesso. Ele criou o site com o objetivo de divulgar vídeos de uma festa sem precisar lotar a caixa de e-mail dos seus amigos. Como tudo na internet, o boca a boca ajudou a divulgar a novidade, novos vídeos foram sendo adicionados e pronto, mais um fenômeno virtual estava criado.
O crescimento foi espantoso. Em apenas um ano e meio de vida, o site já contabiliza 100 milhões de vídeos assistidos por dia. São 65 mil adicionados diariamente e no fim das contas, 20 milhões de usuários acessando em um mês. De olho nesse imenso público as grandes corporações já tentam lançar o seu concorrente como o Google, que lançou o GoogleVideo, e a Microsoft, que promete lançar um site parecido em breve. Alguns grupos já tentaram também comprar o site, mas se depararam com o preço de mais de 100 milhões de dólares. Não que achem caro, mas já dá pra se ter uma idéia da força do novo conceito.

Tecnologia

A tecnologia usada pelo YouTube também facilita a vida do internauta. Os vídeos não são reproduzidos com imagem e som originais. O vídeo sofre uma redução de qualidade para que fique mais "leve", o que é um facilitador para o internauta, sempre ávido não só pelo conteúdo, mas principalmente pela velocidade do serviço.
A grande mídia também começa a demonstrar interesse em disponibilizar alguma parte do seu acervo na internet, como faz a Globo. No entanto, iniciativas como a do YouTube ainda não têm influência desses grandes grupos da televisão e acabam por mostrar o lado obscuro dos grandes conglomerados de mídia. Os vídeos mais populares são, em geral, os de erros na programação. Repórteres engasgando, olhando pras câmeras erradas, apresentadores mal-vestidos e até mesmo bêbados. A graça é achar o que a televisão não mostraria normalmente e com a popularização do YouTube as pessoas estão fazendo questão de gravar cada vez mais momentos da televisão aberta aleatoriamente, só com o objetivo de captar algo interessante e que possa ser exibido na internet.
Alguns especialistas dizem que esse tipo de iniciativa é o primeiro suspiro da televisão do futuro, onde o telespectador verá apenas o que quiser e teríamos então um grande salto de qualidade. Outros dizem que o salto será, na verdade, uma queda num precipício sem fim, onde qualquer um disponibilizará qualquer tipo de coisa sem o mínimo cuidado técnico. Há ainda um terceiro grupo que acha que o YouTube é efêmero e desaparecerá tão rápido quanto veio. Se alguma dessas opções é verdadeira não sabemos ainda, mas como o próprio site diz em sua página inicial, eles já estão "dando força pras pessoas se tornarem os diretores de programação do futuro".

19 setembro 2006

Governo Federal pretende acabar com exclusão digital no ensino público


Gabrielle Martins e Renata Onaindia
Fotos Pedro Pantoja

Um computador por aluno da rede pública de ensino. Essa é a pretensão do Governo Federal, que aguarda receber, a partir de novembro deste ano, os primeiros protótipos para testes e avaliação do notebook de US$100 para uso na educação. A ação interministerial envolve os ministérios da Educação (MEC)e da Ciência e Tecnologia (MCT), além de pesquisadores de institutos brasileiros.
Segundo José Aquino, assessor da Presidência da República que está acompanhando o projeto, os protótipos serão produzidos pela organização não-governamental One Laptop Per Child (Olpc – Um Computador Portátil por Criança), ligada ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos.

Viabilização do projeto depende de 5 milhões de pedidos

Mas para que o projeto seja colocado em prática, que nasceu da proposta feita ao governo brasileiro, no início de 2005, pela Olpc, a organização aguarda reunir, pelo menos, cinco pedidos de um milhão de unidades, podendo ser de um ou mais países.
Para Roseli de Deus Lopes, coordenadora da avaliação feita pela USP, sobre a tecnologia que será usada e sobre as placas-mãe, cedidas pelo MIT, avaliando tecnologia, viabilidade econômica e potencialidade pedagógica, mesmo que o governo não faça acordo com a Olpc, a ação permitirá a educadores e pesquisadores brasileiros grandes possibilidades em pesquisa e desenvolvimento.
- O projeto tem caráter de inovação tecnológica, mas ele é basicamente pedagógico. Agora, independentemente do Brasil aceitar a proposta, a Olpc não irá começar a produção industrial dos notebooks antes de maio de 2007- ressaltou Aquino.
Uma das principais características desse computador é seu sistema de conexão sem fio, denominado Mesh. De acordo com avaliação da USP, basta que um computador esteja conectado à Internet para que todos demais aparelhos com mesma tecnologia localizados a uma distância mínima também tenham acesso ao conteúdo online, formando uma rede.
Como sistema operacional, os computadores usarão um programa de software livre com linguagem Linux, sem custos de direitos autorais. As equipes que avaliam a placa-mãe estudam as possibilidades de desenvolvimento de softwares específicos para uso no Brasil.

Falta de tecnologia veta fabricação no Brasil

O aparelho apresenta diferença no desempenho se comparado a computadores portáteis convencionais, mas é inegável, segundo Roseli, a oportunidade de inclusão digital entre os estudantes brasileiros. Quanto à produção no Brasil, a pesquisadora avaliou que o Brasil não apresenta parque tecnológico para produzir os notebooks com os mesmos custos.
Uma outra ação de inclusão digital, mais abrangente, do Governo Federal, o Projeto Cidadão Conectado - Computador para Todos, iniciado em 2003, prevê possibilitar a população que não tem acesso ao computador possa adquirir um equipamento de qualidade, com sistema operacional e aplicativos em software livre, que atendam ao máximo às demandas de usuários, além de permitir acesso à internet.
Para a compra do equipamento, o Governo Federal disponibilizará linhas de financiamento mais vantajosas. Serão concedidas condições especiais para os computadores credenciados no projeto Computador para Todos. Atualmente existem duas linhas de crédito aprovadas, uma do Fundo de Amparo ao Trabalhado (FAT), operada pelos bancos públicos, e outra pelo BNDES.
O Projeto não apenas disponibilizará o acesso às tecnologias, como também permitirá que toda uma cadeia produtiva venha a ser reforçada no Brasil, inibindo a ação do mercado “cinza”, que não paga impostos nem contrata mão-de-obra com garantias trabalhistas.

POVO FALA
. Fabiana da Silva, 13 anos, estudante do Colégio Estadual João Goulart “Seria legal porquê iria ajudar na educação. Eu tenho um computador, mas todo mundo tem que ter noção.”


. Simone de Oliveira, 28 anos, mãe de um estudante do Colégio Municipal Lins de Vasconcelos
“Meu filho vai aprender, porquê não tenho condições de comprar. Se no colégio tiver, já fico satisfeita.”


. Rosilene dos Santos, 32 anos, mão de dois estudantes do Colégio Estadual Duque de Caxias

“Se isso for verdade vai ser muito bom. Para qualquer emprego pedem informática. Nós não temos condições, então a escola ajuda.

O esporte se rende à tecnologia

Guilherme Romano Torres

Um dos meios mais conservadores e menos afeitos a mudanças radicais em seusregulamentos, o esporte começa a ver com bons olhos o uso da tecnologia para auxiliar no cumprimento de suas regras. Em diversas modalidades estão sendodesenvolvidas formas de auxílio ao árbitro na marcação de lances duvidosos.Uma das inovações mais significativas dos últimos anos ocorreu no tênis.Se antes o árbitro definia a olho nu se uma bola que toca o solo próximoà linha foi dentro ou fora, hoje ele pode ser questionado em sua determinação.Por regra instituída em março deste ano, cada jogador pode pedir que doislances duvidosos a cada set sejam reavaliados pelo árbitro, após exibiçãode replay no telão da arena. Caso as imagens mostrem que o juiz errou, amarcação é corrigida.
O vôlei também estuda uma forma de minimizar os erros de arbitragem, facilitandoa vida dos árbitros. Através de um chip inserido nas bolas, o juiz saberáse ela tocou o chão dentro ou fora da quadra. Ainda há alguns ajustes a seremfeitos na forma de transmissão da informação ao árbitro. Não se definiu seseria através de um sinal sonoro ou por meio de lâmpadas, que acenderiam,alertando o árbitro. Outra questão a ser aperfeiçoada é em relação à bateriaque seria utilizada no chip.
O presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça Filho,anunciou que a "bola inteligente" será utilizada no Brasil ainda em 2006e considera que minimizar os erros de arbitragem é fator fundamental na credibilidadedo esporte.

— A discussão se valeu ou não um ponto era muito boa na época dos poetas.Hoje você não pode admitir que um investimento de quatro anos de um cicloolímpico seja prejudicado por um erro de arbitragem — justifica.
Até mesmo o futebol, tão tradicional em suas regras e que não admite a utilizaçãode imagens de televisão em lances duvidosos, projeta sua maneira de diminuiros erros. O modelo é similar ao do vôlei: uma bola que enviaria ao árbitroum sinal quando ultrapasse a linha de gol. A bola foi utilizada no Mundialsub-17, disputado em setembro de 2005, mas como o sistema ainda precisavaser mais bem desenvolvido não foi utilizado na Copa da Alemanha.

— Ainda estamos desenvolvendo o sistema de rastreamento e quando estivermosconvencidos de que é 100% infalível, 100% perfeita, aí será o momento deela ser usada — diz Thomas van Schaik, porta-voz da Adidas, empresa de materialesportivo que está desenvolvendo o
projeto.

Outras inovações já podem ser vistas nos campos de futebol. O
árbitro utiliza um comunicador e fica em contato, por meio de rádio, com seus auxiliares,facilitando a decisão em lances nos quais eles estejam mais bem posicionados.No entanto, o presidente da Fifa, entidade máxima do futebol mundial, descartagrandes acréscimos no aspecto tecnológico ao esporte.

— Esta tecnologia para a linha do gol é suficiente. O futebol deve manterseu caráter humano e deve aceitar erros. Se nós começarmos a fazer um jogo muito científico, ele perderá sua fascinação — diz o suíço Joseph Blatter.

VIJA O LINK: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG69331-6014-357,00.html

29 agosto 2006

Está no ar, aos 29 dias de agosto de 2006, o Blog Tendência Zero, o Blog que não tende para coisa alguma.

Parabéns à toda a equipe de criação, que foi brilhantemente conduzida pelo Profº Marcelo Fonseca, "O Padrinho", e aos diabos com o Gabriel, que veio meter o bedelho na reunião, manifestando-me em nome dos confreiros pela afirmativa que diz: "CHAMAR DE MERCÚRIO, IRIA SER MUITO MAIS DANADO!"


Um abraço a todos, desejando aos visitantes muito Pão e Cerveja!