O Horizonte do jornalismo é digital – entrevista com Marcos Larosa
Marco Antônio Larosa é coordenador do curso de Comunicação Social da Universidade Candido Mendes dos campus Tijuca e Niterói. Em entrevista ao Tendência Zero disse que o jornalismo digital e o jornalismo digital móvel representam o futuro da comunicação, é uma tendência que se impõe frente às novas necessidades da modernidade, como a busca pela rapidez e objetividade na informação, pela facilidade de acesso e pelo baixo custo operacional para produzi-las e veiculá-las. O emissor enviará mensagens que serão recebidas de forma difusa e de acesso individualizado, em horários e locais variados pelos receptores, modificando o conceito de horário nobre, o momento The Simpsons – desenho animado que mostra a família Simpson junta no sofá em frente a tv. Para ele, a precisão da informação e a credibilidade serão os fatores que farão vingar ou não um veículo.
As grandes empresas de comunicação de massa estão interessadas em investir nessas novas tecnologias – Internet e celular – como possíveis substitutos dos atuais canais, como a tv, o rádio e o jornal impresso?
A tendência é a evolução. Através da tecnologia você ganha em velocidade, ganha em qualidade, atinge seu público-alvo de uma forma mais eficiente. O investimento em tecnologia, na área de comunicação, é fundamental. E vou dizer mais, você é praticamente refém. Porque a cada nova tecnologia, se você não se adapta, fica para trás em relação à concorrência. Isto pode causar um prejuízo direto não só na qualidade da sua informação, como também na agilidade com que essa informação chega ao teu público.
A Internet e o celular podem ser considerados veículos de massa?
No momento não, porque poucas pessoas vão ter acesso. Um equipamento desses vai custar 900 reais, mil reais, dois mil reais. Vai ter uma média como essa. O computador é uma comunicação de massa? Não. Tem uma forte incidência no Sudeste, beirando nove milhões de usuários com ponto de rede em casa. No Norte e Nordeste essa realidade não existe. Pouquíssimas pessoas têm acesso à rede. As empresas que têm terminais ligados à rede, você está bloqueado por uma questão de produtividade. Orkut, MSN, sites de bate-papo são bloqueados, senão você diminui a produtividade. No dia que esses 180 milhões de habitantes tiverem acesso à rede, tudo muda.
A televisão aberta no Brasil é distribuída para pouco mais de seis emissoras e uma delas, a Rede Globo, consegue índices de audiência de 80% no horário nobre. Levando em conta que a tv está inserida em 91% dos lares brasileiros, será que essas emissoras têm realmente interesse em investir nesses pequenos nichos de mercado – a Internet e o celular?
Você abre mais a concorrência. É uma questão de modismo. Quando não tinha celular no Brasil, por exemplo, as pessoas faziam fila para comprar um tijolão daqueles. Porque é novidade, porque dá status. Cria-se o modismo. Você não pode ver televisão no carro, você não pode ver televisão no seu trabalho, você só pode ver quando está em casa, que é uma raridade. As pessoas perderam um pouco esse hábito de Simpson, de todo mundo sentado no sofá vendo televisão. Hoje não. Qualquer tipo de informação que você possa obter de forma imediata, por que não? Na telefonia móvel vou ter acesso direto à Internet – acho que vai ser até gratuito, como um diferencial das empresas –, aí, no seu Palm Top você vê Internet, vê televisão, apura, se entretém, e por ser uma questão de modismo, dificilmente alguém vai ficar para trás nessa história. Vão deixar até de comer para comprar um equipamento desses.
Quem busca mais a popularização da comunicação digital móvel, as empresas de comunicação, a indústria de aparelhos de celular, as operadoras de telecomunicações ou é um negócio que interessa a todos?
Interessa a todo mundo. O mercado digital é um mercado amplo. Qualquer um pode chegar com baixo custo. Diferente numa televisão, que tem um custo fantástico para montar. Se você montar um newsletter, blog, que você envie para os celulares das pessoas, o seu custo é infinitamente menor, basta um servidor, um endereço virtual. É muito mais barato. O que vai fazer a diferença é a credibilidade, a precisão da informação. Eu recebo, por exemplo, duas revistas digitais de publicidade. Eu não compro por mês a mensagem, ela vem atualizada semanalmente. E quando sai um fato novo, é negócio de dois dias, já recebo uma outra revista dessas, outro newsletter. Tem credibilidade? Tem. As informações são precisas? Então me interessam esses e-mails. É como um serviço a mais que as operadoras vão me oferecer. Isto é vantajoso. Agora, repito, quem largar na frente deste mercado vai se posicionar melhor. Para nosso mercado de comunicação, ele está francamente aberto neste sentido. Qualquer um, eu, você, qualquer pessoa, montamos um negócio, como a nossa agência UCAM de Notícias. Os alunos recebem por e-mail, os diretores recebem por e-mail, praticamente a Candido Mendes toda recebe isso por e-mail. Como é que é feito? Dois alunos. Olha o custo operacional disso! As informações são captadas, são disponibilizadas de uma forma clara e objetiva, uma linguagem de fácil acesso, curtas, só com as essências, e você fica bem informado. É claro, se eu quiser conhecimento eu tenho que me aprofundar. Aí sim, eu vou pesquisar, vou acessar a Internet, vou ver telejornais, vou ler ainda um jornal, vou me aprofundar no assunto. Agora, dizer que você não tem informação, isto não pode mais ser dito.
Já que esse mercado está aberto, a gente pode pensar na possibilidade de um curso específico, de extensão, por exemplo, para preparar profissionais para atuarem nesta área?
É possível. Inclusive a disciplina que nós temos aqui, de Jornalismo Digital, ela está totalmente voltada para essa questão do newsletter e do blog. Não temos mais informativos impressos, exceto no laboratório, porque é uma questão de lei. O MEC exige que tenha ainda a impressão do jornal laboratorial. Jornalismo Alternativo, Jornalismo Digital e Jornalismo Empresarial são as três disciplinas do curso em que seus produtos já são digitais, não tem mais impressão. Agora, como fazer, como buscar a informação, a disciplina procura ensinar. Um curso de extensão para você efetivamente atuar neste mercado é uma intenção boa, não só de alguns alunos como também do próprio curso. A gente pretende criar uma oficina disso, criar um blog só para ela e aí, sim, aprender desde o processo de como se busca na Internet, como é que se associa, como é que se monta e, a partir daí, como se abastece. Porque o problema não é montar – tecnologicamente é fácil –, o problema é abastecer com informações precisas, que é o que vai fazer vingar ou não o seu veículo. O pior não é aprender a fazer, fazer é fácil, é um processo mecânico, é ter a consciência de apurar de forma correta.
A informação que é recebida pelo celular tende a ter sua recepção prejudicada mais do que nos outros canais. Que tipo de mensagem é mais apropriado para o celular?
Curta e grossa. Não adianta você querer contar história. Ter um celular hoje, que é pequenininho, miudinho, também muda. Ele passa a ser maior, do tamanho de um Palm Top ou até um pouco maior, com tecnologia para você ter acesso à leitura com letra maior e também a imagens. O texto tem que ser claro e objetivo para que você perceba rapidamente num passar de olhos. Não pode ter mais do que duas linhas.
Você se considera um entusiasta do jornalismo digital e do jornalismo digital móvel?

